O leilão para a venda da SAF do Vasco ocorre às 14h desta sexta-feira (25), no Rio de Janeiro. A Almirante Participações, empresa de Marcos Lamacchia, é a única interessada apta e deve ser confirmada compradora, mas o negócio ainda depende de aprovações posteriores.

As propostas serão abertas em audiência fechada presidida pela Justiça, com a presença do Vasco e de outros eventuais interessados. Mesmo tendo só um comprador apto, o clube é obrigado por lei a abrir as ações da SAF em leilão.

A Almirante está no edital como "stalking horse bidder": ganhou o direito de fazer a primeira oferta, precificando a SAF, além de preferência para igualar qualquer outra proposta que apareça.

O processo de venda já avança na Justiça desde agosto. Mas o sucesso do leilão não faz Lamacchia assumir o comando de imediato.

Por que a compra é alvo de investigação?

A compra é investigada porque Marcos Lamacchia é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras.

A Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol) apura possível conflito de interesse, já que o regulamento proíbe controle ou influência significativa sobre mais de um clube pela mesma pessoa ou grupo.

Quando 2 clubes que se enfrentam podem responder, direta ou indiretamente, à mesma vontade, o resultado em campo deixa de ser a única coisa que importa.

José Roberto Lamacchia, pai do comprador, é avalista da operação e também conselheiro vitalício do Palmeiras. Leila Pereira diz não ter vínculo profissional com o enteado.

É essa dupla ligação familiar com o clube rival que sustenta a suspeita da Anresf, não a compra em si.

O Vasco já vive tensão com o Palmeiras por causa do negócio. Em junho, Leila Pereira chegou a ameaçar processar o vice de futebol do Vasco por declarações sobre a SAF.

O Flamengo também entrou na disputa: o rival acionou o órgão regulador para questionar a situação financeira do clube de São Januário.

Quais são as garantias financeiras da venda?

A Almirante depositou nesta semana R$ 27 milhões, valor equivalente a dois anos de pagamento da recuperação judicial do Vasco, exigência do edital para resguardar a segurança trabalhista.

A Justiça também aprovou, no início do mês, um empréstimo de R$ 150 milhões da Almirante ao Vasco.

O clube já usou R$ 65 milhões desse valor para pagar premiações ao elenco e quitar parcelas da recuperação judicial. Os R$ 85 milhões restantes não têm prazo definido de uso.

O que acontece agora?

Mesmo com o leilão concluído, a venda ainda depende da aprovação do Conselho Deliberativo do Vasco e, depois, de uma Assembleia Geral Extraordinária.

Falta também a palavra final da Anresf sobre o conflito de interesse. Não há prazo interno definido para essas etapas, mas a expectativa é de uma resposta rápida da agência.