A pobreza na Argentina subiu a 32,3% da população no primeiro semestre de 2026, ante 28,2% um ano antes, segundo o INDEC. A crise já derruba as exportações brasileiras: a venda de veículos ao país caiu 35,4% no período, segundo a Anfavea.
O levantamento oficial mostra ainda indigência de 7,5% e desemprego de 7,9%, o maior nível desde 2021. Cerca de 30 mil empresas fecharam desde a posse do presidente Javier Milei, em dezembro de 2023.
Entre crianças, a pobreza chega a 44,5% e a indigência, a 10,8%. Cerca de metade da população ativa argentina já trabalha na informalidade, segundo o INDEC.
O contraste com o discurso de Milei
Milei afirmou, na quarta-feira (23) em Nova York, que seu governo "tirou 14 milhões de pessoas da pobreza" desde que assumiu. O índice de fato caiu de 52,9% no início de 2024 para o patamar atual, mas voltou a subir nos últimos 12 meses.
Para a Universidade Católica Argentina (UCA), que também mede o indicador, a pobreza pode chegar a 35% até o fim do ano. Parte dos economistas reconhece falhas metodológicas nos dados oficiais, mas afirma que isso não muda a tendência de alta.
A reversão reduz o poder de compra dos argentinos no país que mais compra carros brasileiros na região, e já aparece no comércio bilateral.
O PIB argentino cresceu 2% neste ano, mas o país já compra menos do Brasil, mostrou levantamento de setembro.
A fatia brasileira nas importações argentinas de veículos caiu de 82% para 56% em um ano. Carros elétricos chineses já respondem por mais de 9% das vendas totais no país; entre os veículos importados, 1 em cada 5 já é chinês.
Os Estados Unidos passaram a competir com o Brasil na Argentina. E essa é uma competição que, assim como com a China, o Brasil não consegue enfrentar.
A avaliação é do presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.
A crise ocorre em meio a desgaste diplomático: dias antes, na Assembleia Geral da ONU, Milei atacou Lula em discurso e reafirmou apoio a Flávio Bolsonaro.
A concorrência chinesa também preocupa o setor automotivo brasileiro dentro de casa: a Anfavea já criticou a isenção de impostos para carros elétricos chineses vendidos no país.
Na própria Argentina, as vendas de veículos caíram 10,5% no primeiro semestre, reflexo do orçamento mais apertado das famílias, segundo a Anfavea.































