A jiboia-do-Ribeira (Corallus cropanii), tida como a serpente mais rara do mundo, foi avistada 20 vezes desde 2016 por biólogos no Vale do Ribeira, litoral sul de São Paulo. Entre 1953 e 2016, ela havia sido encontrada apenas 6 vezes, sempre morta.
A espécie foi descrita em 1953 pelo herpetólogo Alphonse Richard Hoge, do Instituto Butantan. Ela só voltou a ser vista viva em outubro de 2016, quando um morador de Sete Barras avisou o biólogo Bruno Rocha, cofundador do Projeto Jiboia do Ribeira.

Por que a espécie é tão rara
A jiboia-do-Ribeira é uma serpente não peçonhenta, da mesma família das jiboias e sucuris. Tem hábitos arborícolas e é endêmica da mata atlântica de 22 municípios do Vale do Ribeira.
A primeira cobra encontrada viva, batizada de Dona Crô por um menino da região, tinha ventre amarelo e escamas triangulares negras e marrons. Ela foi monitorada por rádio até a bateria do aparelho acabar.
Segundo a bióloga Daniela Gennari, da Coleção de Herpetologia do Museu de Zoologia da USP, ainda falta entender a biologia básica da espécie.
Sabemos que são serpentes que passam quase todo o tempo no topo de árvores, e se deslocam lentamente, tanto nas copas quanto no chão. Mas não sabemos o que faz elas descerem.
Pouco se sabe também sobre maturação sexual e número de filhotes por gestação da jiboia-do-Ribeira, lacunas que os novos registros ajudam a preencher aos poucos.
O que acontece agora
Depois de Dona Crô, os moradores da região ajudaram a localizar outros quatro exemplares: a fêmea Esperança, achada durante a pandemia; o macho Ribeiro; a fêmea idosa Juquiá; e um macho jovem ainda sem nome.
O projeto segue dependendo desses avistamentos para avançar na pesquisa, no mesmo tipo de esforço que já ajudou a monitorar outra espécie rara avistada no Brasil.





























