O bar Ferro's, no centro de São Paulo, foi palco em 1983 de um levante que mudou o rumo do movimento LGBTQIA+ no Brasil. O livro "Na Noite Lésbica: O Levante do Ferro's Bar", da historiadora Julia Kumpera, reconstrói o episódio pela primeira vez.

Hoje, quem passa pelo prédio, na rua Martinho Prado, em frente ao Museu Judaico, não encontra nenhuma placa que indique o passado do local. Existia também uma lacuna na literatura, agora preenchida pelo livro.
A obra abre a coleção "Nossas Histórias", da editora Autêntica, dedicada a resgatar episódios da história LGBTQIA+ no país. No fim do mês, sai o segundo volume, sobre o teatro pernambucano Vivencial, escrito por Márcio Bastos.
Nos anos 1970 e 1980, o Ferro's se consolidou como uma das principais casas frequentadas por lésbicas na capital paulista. Ali, ativistas do Grupo de Ação Lésbica Feminista, entre elas Rosely Roth, distribuíam o periódico Chanacomchana, voltado a mulheres que amavam mulheres.
O que o livro revela sobre o levante de 1983?
O livro mostra como a censura e a homofobia dos donos do bar levaram ao ato de 1983. Mostra também como a repressão do governo militar, na mesma época, também organizou outros protestos afetivos no país.
Kumpera reconstrói o episódio a partir de relatos, documentos e fotografias que resistiram ao tempo.
A autora também mapeia o comportamento de quem frequentava o bar: as "fanchas", de estética mais masculina, e as "ladies", que investiam em maquiagem e cabelo comprido.
A estética funcionava como código de flerte, e décadas depois o próprio movimento lésbico-feminista passou a questionar esse modelo, por reproduzir papéis de gênero calcados no casal heterossexual.
Hoje a gente tem mais símbolos e mais possibilidades de expressão. Na época, a marcação fancha/lady foi mobilizada de forma estratégica.
A frase é de Julia Kumpera, autora do livro. Segundo ela, entender a origem desses códigos ajuda a explicar o próprio movimento LGBTQIA+ de hoje.
O que acontece agora
O segundo volume da coleção "Nossas Histórias", sobre o teatro Vivencial, chega às livrarias no fim de setembro.





























