O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indeferiu neste sábado (3) a candidatura de Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado pelo Paraná, na véspera do 1º turno. Pela decisão, os votos dados a ele neste domingo (4) serão considerados nulos, e não haverá nova eleição para a vaga.
A decisão chega horas depois de uma pesquisa Quaest mostrar Dallagnol tecnicamente empatado na briga pela segunda vaga do Paraná. O levantamento foi encomendado pela TV Paranaense e registrado no TSE sob o número PR-05119/2026.
Filipe Barros (PL) lidera com 25% dos votos válidos, seguido por Alexandre Curi (Republicanos) e por Dallagnol, ambos com 21% em cenário estimulado. O instituto ouviu 2.004 eleitores entre 2 e 3 de outubro, com margem de erro de 2 pontos e 95% de confiança.
| Candidato | Partido | Votos válidos |
|---|---|---|
| Filipe Barros | PL | 25% |
| Alexandre Curi | Republicanos | 21% |
| Deltan Dallagnol | Novo | 21% |
| Gleisi Hoffmann | PT | 15% |
| Dr. Rosinha | PT | 10% |
A disputa concorre a duas vagas no Senado, e cada eleitor escolhe dois nomes. Com a invalidação, quem marcar Dallagnol na urna neste domingo perde esse voto na prática, porque o nome some do cálculo que decide quem fica com a segunda cadeira.
Segundo a decisão, Dallagnol pediu exoneração do Ministério Público Federal em novembro de 2021 para "burlar a legislação e evitar eventuais processos administrativos disciplinares que o tornariam inelegível", na avaliação do ministro.
Havia 15 processos disciplinares em aberto contra ele na época. A inelegibilidade decorrente desse episódio vale até novembro de 2029.
É a segunda vez que o TSE barra uma candidatura dele pelo mesmo motivo.
Em 2023, o TSE já havia cassado o mandato de Dallagnol como deputado federal. A Corte entendeu que ele deixou o MPF para evitar a inelegibilidade. O TRE-PR liberou o registro este ano, mas o ministro Floriano rejeitou esse entendimento agora.
Quem recorreu e o que diz a Procuradoria
O indeferimento atendeu a um recurso da Federação Brasil da Esperança, bloco formado por PT, PCdoB e PSOL, e também do partido Unidade Popular. Os dois contestavam o registro de Dallagnol, liberado pelo TRE-PR para a disputa deste ano.
A Procuradoria-Geral Eleitoral, que representa o Ministério Público Eleitoral, defendeu nesta sexta-feira (2) a manutenção da candidatura. Para o órgão, a inelegibilidade reconhecida pelo TSE em 2022 não seria necessariamente válida para o pleito de 2026.
Publicidade
O argumento não prevaleceu na decisão monocrática. O g1 procurou a assessoria de Dallagnol para comentar o indeferimento e aguarda retorno.
O que acontece agora
As urnas eletrônicas já estavam lacradas quando a decisão saiu, então o nome de Dallagnol segue aparecendo na votação deste domingo, mas o voto não é mais contado para ele. O TRE-PR deve atualizar o registro para "indeferido" no sistema da Justiça Eleitoral.
O caso ainda será julgado pelo plenário do TSE, sem data marcada, e toda a chapa majoritária de Dallagnol, titular e suplentes, fica prejudicada com o indeferimento.
A campanha de Dallagnol já havia sido suspensa por liminar em setembro, quando ele ficou proibido de fazer propaganda no rádio e na TV.
Antes da decisão de hoje, a Procuradoria já havia pedido ao TSE que mantivesse a candidatura dele. O entendimento do ministro Floriano prevaleceu no fim.
A corrida pela segunda vaga, antes tratada como empate técnico entre três candidatos, perde agora um dos nomes do páreo às vésperas da apuração.
































