O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (18/9), em comício em Guarulhos (Grande São Paulo), que pretende "acabar com as bets" no Brasil, caso dependa de sua vontade pessoal. A fala ocorre em meio à reação de clubes de futebol.

"Se depender da minha vontade pessoal, eu vou acabar com as bets nesse país. É a coisa mais horrorosa que eu vi na vida", disse o presidente, referindo-se às casas de apostas.

Lula disse ter conversado com uma jovem que teria tentado se matar por causa de dívidas contraídas em apostas online. O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente, 24 horas por dia, pelo telefone 188.

O presidente também disse acreditar que apostar nas bets não é jogo, mas vício. "Não é jogo, é vício, é ludopatia. A gente joga achando que vai ganhar e só perde", afirmou, segundo o Metrópoles.

O ato de campanha reuniu ainda o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, e as candidatas ao Senado pela coligação governista Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).

Guarulhos, a segunda cidade mais populosa da Grande São Paulo, é governada por Lucas Sanches (PL), aliado da família Bolsonaro. Em 2022, Lula foi derrotado no município por Jair Bolsonaro (PL), que teve 53% dos votos contra 46% do petista.

Por que os clubes reagem à fala de Lula

Grandes clubes brasileiros, entre eles Flamengo, Palmeiras, São Paulo e Cruzeiro, e as federações de futebol de São Paulo e do Rio de Janeiro assinaram um manifesto contra uma possível restrição às bets.

O manifesto, batizado de "o fim do futebol brasileiro", argumenta que a perda de patrocínio afetaria também divisões de acesso, categorias de base e o futebol feminino.

Só os clubes da Série A do Brasileirão recebem mais de R$ 1 bilhão por ano em patrocínio de casas de apostas legalizadas, segundo o próprio manifesto dos clubes.

O governo já discute uma Medida Provisória para restringir o setor, mas ainda hesita diante da pressão dos clubes e do peso econômico do mercado de apostas.

O discurso de Lula toca num problema real. O vício em apostas já elevou em 59,8% os afastamentos do trabalho por esse motivo, segundo levantamento recente.