O consórcio Fla-Flu Serviços S.A., que administra o Maracanã, negou o pedido do Vasco para mandar no estádio o jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil contra o Vitória, nesta quarta-feira (26), às 21h30. O Vasco entrou na Justiça contra a decisão.

Segundo o consórcio, a recusa não tem outro motivo além de um cronograma de recuperação do gramado, fechado antes do pedido do Vasco. A manutenção está marcada para o período de 23 a 29 de agosto, o que inclui a data do jogo.

A empresa Greenleaf, responsável pelo laudo técnico do campo, atribui o desgaste a uma maratona recente de partidas no estádio. Há ainda outro compromisso na agenda: o gramado precisa estar pronto para o NFL Rio Game, marcado para 27 de setembro.

Os dois lados da disputa

O Vasco contesta a justificativa no processo. Para o clube, faltou "um laudo técnico objetivo capaz de demonstrar que o Maracanã não pode receber a partida no dia 26", nas palavras usadas na petição.

O time lembra que o Maracanã recebeu oito partidas em 15 dias em maio deste ano, sem que isso impedisse o uso do estádio.

A pergunta que o clube faz na Justiça é por que um único jogo, agora, danificaria o campo a ponto de justificar a negativa.

Do lado do gramado maltratado, há um indício recente. Depois do clássico entre Flamengo e Vasco, no dia 19 de agosto, no próprio Maracanã, o zagueiro flamenguista Léo Pereira disse que "o campo está muito ruim para ambas as equipes".

O contrato e o que está em jogo

A defesa da concessionária questiona ainda a validade do próprio acordo que garante datas ao Vasco no estádio. O memorando de 2025 foi assinado por Vasco, Flamengo e Fluminense, mas o campo reservado à assinatura da Fla-Flu Serviços S.A. ficou em branco.

Sem essa assinatura, argumenta a defesa, o documento não tem eficácia legal. O Vasco rebate: pelo mesmo memorando, o clube tem direito a oito partidas no Maracanã entre 2025 e 2026, incluindo jogos de Copa do Brasil.

O pedido formal do Vasco pelo Maracanã foi feito em 19 de agosto. Antes disso, o clube já havia anunciado que mandaria o confronto em São Januário.

A diferença de capacidade explica por que o Vasco insiste no estádio maior: são cerca de 78.800 lugares, contra 21.900 em São Januário, o que pesa direto na venda de ingressos de um jogo eliminatório.

A Justiça ainda não decidiu o caso. Sem uma liminar a tempo, o jogo de quarta-feira (26) deve ser disputado em São Januário, como o Vasco já havia planejado antes de pedir o Maracanã.