Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT) concorrem em lados opostos ao governo do Ceará nas eleições de outubro, depois que a aliança que os uniu desde 2006 rompeu em 2022. Cid Gomes, irmão de Ciro, disputa a reeleição ao Senado dentro da chapa de Elmano, hoje o rival do próprio irmão.
O grupo político nasceu em 2006, na eleição de Cid ao governo do Ceará. A cisão veio em 2022, na escolha do nome que disputaria o governo estadual.
Cid e Ciro não se falam desde então e já haviam apoiado candidatos diferentes para a Prefeitura de Fortaleza nas municipais de 2024.
Como ficaram as duas chapas
Ciro formou uma coligação de sete partidos, do centro à direita, com o PL entre eles.
Tem como vice o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União Brasil) e como candidatos ao Senado o ex-deputado federal Capitão Wagner e o deputado estadual Alcides Fernandes (PL).
Elmano concorre à reeleição à frente de uma coligação de 13 partidos, entre eles PSB, PDT, Republicanos e o PT. A vice é Gabriella Aguiar (PSD), atual vice-prefeita de Fortaleza, e os candidatos ao Senado são Cid Gomes e a deputada federal Luizianne Lins (Rede).
A chapa foi costurada com apoio do presidente Lula, hoje palanque do petista no estado.
"Mudar o Ceará, mudar aquilo que precisa ser mudado com a prioridade necessária, a segurança pública, um novo projeto inteiro", disse Ciro Gomes no primeiro ato oficial de sua campanha, em 16 de agosto, em Fortaleza.
"Revolucionar a gestão da saúde. Antes de fazer prédio novo, você tem que fazer com que as coisas que estão aí funcionem", completou.
Elmano rebateu o tom crítico em evento no segundo dia de campanha: "Nós queremos priorizar segurança pública, saúde, priorizar o trabalho na área de emprego e, evidentemente, aumentar ainda mais a qualidade da educação do povo cearense."
Na última pesquisa Quaest sobre a disputa, contratada pela Genial Investimentos e divulgada em 30 de julho, Ciro aparecia com 43% das intenções de voto contra 33% de Elmano.
O instituto ouviu 1.002 eleitores entre 24 e 28 de julho, margem de erro de 3 pontos, registro no TSE sob o número CE-09277/2026.
Para o cientista político Emanuel Farias, professor da Universidade Estadual do Ceará, o episódio marcou o fim do grupo criado em 2006. "Esse grupo político não existe mais, ele foi rompido como consequência das eleições de 2022", afirma.
"Uma parte do grupo que está com o Cid apoia a reeleição de Elmano, e a outra parte apoia Ciro Gomes, que enfrenta, que pede votos, na verdade, pedirá votos para dois candidatos ao Senado contra o Cid", completa.
O racha teve desdobramento em Brasília. Na quinta-feira (20), Lula pediu o desligamento do deputado Mauro Benevides Filho (União Brasil-CE) da vice-liderança do governo na Câmara. Mauro coordena o programa de governo de Ciro.
Farias lê a disputa também como teste de nacionalização. Elmano mostra que está com Lula, Ciro tenta se descolar dos bolsonaristas. Apesar do apoio do PL cearense, ele já declarou que não apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Os cearenses vão às urnas em 4 de outubro.
O que fica em aberto
A fragmentação tira do Ceará um bloco que, unido, comandava o governo estadual desde 2006. Falta saber se o eleitor vai decidir pela chave local, entre segurança pública e geração de emprego, ou pela etiqueta nacional que cada lado tenta colar no adversário.




























