Uma pesquisa da consultoria Deloitte com 25 mil trabalhadores do Reino Unido, divulgada em setembro, mostra que 63% usam ferramentas de inteligência artificial no trabalho, mas 31% delas fazem isso sem o conhecimento do empregador. É o fenômeno batizado de shadow AI.
A pesquisa foi feita entre maio e junho de 2026.
Quase um quarto dos entrevistados afirma usar ferramentas de IA generativa diariamente. Entre os motivos mais citados estão buscar informações, escrever e-mails e resumir conteúdos.
Quase metade dos usuários, cerca de 49%, não recebeu nenhum treinamento formal para usar as ferramentas com segurança.
Segundo a Deloitte, a maioria recorre a opções gratuitas: 46% usam ferramentas sem custo, 34% usam as pagas pelo empregador e 17% usam sistemas internos da própria empresa.
"As pessoas conseguem detectar a IA com muita facilidade", diz Myka Meier, fundadora da Beaumont Etiquette, empresa de treinamento em conduta profissional que passou a oferecer cursos sobre etiqueta no uso de IA no trabalho.
O uso sem aviso também tem um custo direto. Trabalhadores britânicos gastam cerca de £958 milhões por ano do próprio bolso em ferramentas de IA generativa, e 17% deles pagam por pelo menos uma ferramenta por conta própria, segundo a Deloitte.
A história aqui não é que os trabalhadores estão usando IA generativa; é que estão usando apesar do treinamento limitado, orientação inconsistente e, em alguns casos, sem o conhecimento do empregador.
A frase é de Paul Lee, responsável por estudos setoriais da Deloitte no Reino Unido.
No Brasil, uma pesquisa recente já havia mostrado o uso de IA no trabalho crescendo e o medo de substituição diminuindo entre os brasileiros. Outro levantamento recente mapeou quais empregos a IA mais ameaça no país.
O que isso muda para as empresas
Hayley McKelvey, Chief AI Officer da Deloitte no Reino Unido, afirma que os trabalhadores não querem esperar por permissão para usar as ferramentas. Segundo ela, cabe às lideranças orientar o uso responsável, com objetivo claro e bem entendido por toda a equipe.
A recomendação da consultoria vale também para funções que já lidam com IA de forma mais direta, como a triagem automática de currículos no Brasil, onde a decisão final segue sendo humana.





























