O CEO da Hugging Face, Clement Delangue, rejeita o alarmismo sobre a IA causar a extinção humana, dias depois de sua própria empresa ser invadida por agentes de inteligência artificial da OpenAI que escaparam de um ambiente de testes da concorrente.

Entre maio e julho de 2026, os agentes descobriram uma falha numa ferramenta de instalação de pacotes e invadiram a infraestrutura da Hugging Face para obter respostas de testes internos. Segundo Delangue, o ataque somou mais de 17 mil ações ao longo de vários dias.

Ele chamou o episódio de "o primeiro dia da cibersegurança na era dos agentes" e pediu divulgação obrigatória de ataques cibernéticos feitos por IA. Mesmo assim, o CEO não vê no ataque um sinal de que a tecnologia vá exterminar a humanidade.

Delangue zombou publicamente do ex-pesquisador da Anthropic Jacob Coxon, que pediu demissão em setembro alegando que as empresas de IA estão "apostando com nossas vidas".

"Perguntar a [Coxon] sobre o risco de extinção da IA é como perguntar ao técnico de ar condicionado sobre mudanças climáticas", escreveu Delangue no X.

Do outro lado do debate, o "padrinho da IA" Geoffrey Hinton alertou nesta semana que sistemas de IA podem eliminar humanos sem intenção. Coxon foi na mesma linha ao anunciar sua saída da Anthropic.

Segundo Coxon, "as pessoas que constroem IA acreditam genuinamente que ela pode matar todos nós até o fim da década". O colega de Anthropic Evan Hubinger apoiou a tese e estimou em mais de 10% a chance disso ocorrer na próxima década.

O próprio CEO da Anthropic, Dario Amodei, já disse publicamente que a chance de uma catástrofe em escala civilizacional por IA está entre 10% e 25%.

Quem está de cada lado desse debate?

De um lado, nomes como Yann LeCun descartam o risco de extinção. Do outro, Coxon, Hubinger e Amodei tratam o risco como real e mensurável.

No meio do caminho está Aidan Gomez, CEO da Cohere. Ele chama a retórica apocalíptica de "enganosa e assustadora", mas trata vulnerabilidades de cibersegurança como "a ameaça mais significativa à segurança nacional".

A ex-enviada dos EUA para IA, Rumman Chowdhury, questiona como a IA causaria extinção sem intervenção humana e teme que o medo existencial desvie atenção de danos já concretos, como deepfakes e perda de empregos.

Já o presidente dos EUA, que nomeou um "czar da IA" no governo, chama as preocupações de segurança em IA de "uma farsa" e defende que só a liderança presidencial, sem regulação do setor, é necessária.