Cerca de 12% dos casos de câncer no mundo em 2024, o equivalente a 2,3 milhões de diagnósticos, foram causados por uma infecção, segundo estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicado na revista The Lancet Oncology. A maioria veio de cinco patógenos.

A bactéria Helicobacter pylori e o HPV lideram a lista, cada um ligado a cerca de 4% dos casos. A hepatite B responde por 2%, e os vírus Epstein-Barr e hepatite C, por fração menor, segundo a Folha e o Metrópoles.

Juntas, essas infecções podem causar mais de 20 tipos de câncer, incluindo os de estômago, fígado, sangue e colo do útero.

Isso significa que boa parte desses cânceres pode, em teoria, ser evitada com vacina, diagnóstico e tratamento a tempo.

Um vírus pode alterar os genes da célula que infecta, tornando-a mais propensa a crescer sem controle. Uma das formas é desativar a proteína TP53, que normalmente faria a célula se autodestruir.

O que muda para quem vive no Brasil

No Brasil, o SUS oferece de graça as vacinas contra HPV e hepatite B, as duas ligadas a câncer pelo estudo. A vacina contra HPV é de dose única para crianças de 9 a 14 anos desde 2024.

Grupos de maior risco, como imunocomprometidos e vítimas de violência sexual a partir dos 15 anos, seguem esquema de três doses. No país, a vacinação contra HPV nas escolas ampliou o acesso ao imunizante.

Um estudo brasileiro já havia associado o HPV a 7,5 mil mortes anuais por câncer no país, a maioria por câncer de colo do útero.

O que acontece agora

A prevenção segue desigual entre os países: cerca de 75% dos casos de câncer ligados a infecções ocorrem em nações de renda baixa e média, sobretudo no leste da Ásia, segundo o Metrópoles.

Para H. pylori e o vírus Epstein-Barr ainda não existe vacina; pesquisas continuam. A projeção se soma a outro alerta da OMS: o número global de casos de câncer deve quase dobrar até 2050.