O jejum exigido antes de cirurgias e exames tem função de segurança, não só de rotina hospitalar. Na anestesia, ele evita o risco raro, mas grave, de broncoaspiração. Em exames de laboratório e imagem, evita interferência química nos resultados e garante órgãos visíveis para análise.
Segundo o anestesiologista Rodolfo Araújo, coordenador do Serviço de Anestesiologia do Hospital Mater Dei Goiânia, a broncoaspiração é a maior complicação evitada pelo protocolo de jejum.
"Broncoaspiração é a entrada de conteúdo gástrico (alimento, líquido ou secreções) para dentro da traqueia e dos pulmões, em vez de seguir o caminho normal pelo esôfago", afirma o anestesiologista.
"A anestesia geral deprime esses reflexos de proteção, e quanto mais profundo o nível de sedação, maior essa perda", completa Araújo. O evento é raro, graças à eficiência dos protocolos modernos. Protocolos de recuperação acelerada, os ERAS, flexibilizaram os tempos de jejum antigos.
Quanto tempo de jejum é necessário antes de cirurgia?
O jejum recomendado varia conforme o tipo de substância. Segundo a Sociedade Brasileira de Anestesiologia, alimentos sólidos exigem entre 6 e 8 horas de jejum, enquanto líquidos claros, como água, chá e café sem leite, são permitidos até 2 horas antes da cirurgia.
Bebês amamentados precisam de só 4 horas de jejum, e os que tomam fórmula infantil, 6 horas, segundo a mesma diretriz. O tema já apareceu em outra cobertura da TV Sim Brasil sobre riscos e cuidados no pós-operatório de cirurgias de emergência.
Exame de sangue sempre exige jejum?
Não sempre. Desde 2017, o consenso da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica dispensa o jejum para o perfil lipídico, como colesterol total, LDL, HDL e triglicérides, desde que o laudo informe a condição do paciente.
A glicose, usada para diagnosticar diabetes, ainda exige jejum de 8 horas no Brasil, mesmo com a flexibilização adotada para o colesterol. Um novo teste de colesterol mais eficaz que o convencional também vem sendo estudado no país.
A recomendação da SBA e da SBPC/ML aponta na mesma direção. Cada exame segue sua própria lógica de preparo. Vale sempre checar a orientação específica antes de qualquer procedimento, em vez de aplicar uma regra geral de jejum.
A dispensa de jejum para exames de sangue já é prática nos EUA, no Canadá e em parte da Europa. O mesmo movimento de atualização aparece em outras frentes, como o exame de sangue que detecta câncer e chegou ao Brasil com ressalvas.
Nenhum protocolo substitui a orientação específica do médico ou do laboratório responsável pelo exame.





























