Um estudo do professor James Kimmel Jr., da Escola de Medicina de Yale, mostra que o desejo de vingança libera dopamina no cérebro, como em vícios de jogo, álcool e tabaco. O efeito dura pouco e tende a se repetir.

A novela "Quem Ama Cuida", da Globo, colocou o tema em pauta. A personagem Adriana, vivida por Letícia Colin, passou seis anos presa por um crime que não cometeu e agora planeja se vingar de quem a incriminou.

Pessoas sentadas em roda conversando em grupo de apoio
Roda de conversa de projeto de apoio emocional (foto de arquivo). Foto: Projeto Help/Divulgação

Para o filósofo Renato Noguera, sentir raiva diante de uma injustiça grave é uma reação humana natural. O problema começa quando a resposta a essa injustiça passa a organizar toda a vida da pessoa, tornando-se uma obsessão.

"Buscar justiça é reconhecer o que aconteceu, responsabilizar quem causou o dano e trabalhar por alguma forma de reparação", diz Noguera, autor do livro "Medo e raiva", lançado pela HarperCollins.

Por que a vingança prolonga a dor?

Para a psicanalista Maria Homem, a vingança funciona como uma fuga da dor real. Em vez de lidar com perdas como o fim de um casamento ou a própria vida desestruturada, a pessoa foca toda a atenção no algoz.

"O que a novela está mostrando é que eu permaneço com a minha dor, o meu sentimento, com a minha angústia. Eu não me livro dela", diz a psicanalista.

Abandonar o plano de vingança significa encarar o vazio e a dor real da perda, o que a pessoa vem evitando o tempo todo.

O que a ciência diz sobre o desejo de vingança?

Autor do livro "The Science of Revenge", Kimmel afirma que não é preciso executar a vingança para sentir o efeito. Só de desejá-la, o cérebro já libera dopamina, o neurotransmissor ligado à motivação e ao prazer.

O problema é que essa euforia dura pouco. Quando passa, a pessoa sente necessidade de mais uma dose, o que pode alimentar novos ciclos de retaliação entre as partes envolvidas.

A TV Sim Brasil já mostrou como buscar ajuda profissional depois de um trauma, caminho que especialistas recomendam no lugar da obsessão pela revanche.

A novela já tratou de outros temas sociais, como o preconceito familiar contra pessoas LGBTQIA+ e o preconceito contra ex-presidiários no mercado de trabalho.