Um movimento nascido junto com o "Make America Healthy Again" (MAHA), nos Estados Unidos, passou a apresentar a nicotina como produto de bem-estar e melhora de desempenho, em vez de substância viciante ligada ao cigarro. A tendência inclui sachês sem combustão, hoje proibidos no Brasil.

Nas redes sociais, podcasts e comunidades de bem-estar, influenciadores descrevem a nicotina como composto mal compreendido, cujos supostos benefícios teriam sido ofuscados pela associação com o tabaco.

Uma médica pneumologista e pesquisadora da dependência de nicotina afirma se preocupar com alegações de melhora de foco, produtividade e desempenho cognitivo sem comprovação científica.

A nicotina é um composto encontrado no tabaco e, em quantidades mínimas, em vegetais como tomate, batata e berinjela. Ela é o principal fator de dependência do cigarro, do eletrônico e de outras formas de tabaco.

Por que os sachês são proibidos no Brasil?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a importação de qualquer produto fumígeno, incluindo sachês de nicotina, mesmo para uso pessoal, com base na Resolução RDC 840/2023.

Especialistas apontam riscos específicos do sachê: a mucosa oral tem muitos vasos sanguíneos, o que leva a nicotina mais rápido ao cérebro e ao sangue. A substância também favorece a proliferação de células cancerígenas e eleva a pressão arterial.

Mesmo proibidos, os sachês continuam à venda em redes sociais, grupos de WhatsApp e sites de e-commerce no Brasil, driblando a fiscalização com latinhas coloridas e sabores frutados.

O crescimento do consumo desses produtos no país já havia sido mostrado em levantamento sobre o tabagismo no Brasil, que aponta a indústria do tabaco ampliando o portfólio para atrair jovens.

O mercado de novos produtos de nicotina cresce voltado ao público jovem. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) já alertou sobre os riscos dos cigarros aromatizados entre adolescentes.

Os maiores riscos à saúde do tabagismo vêm da combustão, que gera substâncias cancerígenas, monóxido de carbono e material particulado fino, segundo a pesquisadora.

O que acontece agora

A Anvisa incluiu o tema na agenda regulatória de 2026-2027, mas a revisão não pretende autorizar os sachês. O objetivo é definir o enquadramento do produto na legislação sanitária brasileira.