O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, anunciou nesta terça-feira (29) um plano de 35 páginas contra o antissemitismo na cidade, com dezenas de milhões de dólares para segurança e educação sobre o Holocausto. O relatório evita qualquer discussão sobre o conflito em Israel.

Mamdani é crítico de longa data de Israel, mas tem falado menos sobre o tema desde julho, quando reconheceu, em vídeo amplamente assistido, que não tinha autoridade para prender o premiê israelense Binyamin Netanyahu, como havia prometido.

O plano prevê US$ 26 milhões a mais para o Escritório de Prevenção a Crimes de Ódio da cidade, além de US$ 7,4 milhões em subsídios de segurança e US$ 1 milhão para proteção física de sinagogas.

"O objetivo é enfrentar o flagelo do antissemitismo agora e no futuro", disse Mamdani.

Segundo o prefeito, judeus representam 12% da população de Nova York, mas são vítimas de cerca de metade dos crimes de ódio reportados na cidade.

O documento também destina US$ 6,4 milhões para dobrar o programa "Partners Against Hate", US$ 2 milhões para concluir o Monumento do Holocausto em Queens e US$ 2,5 milhões para o Centro de Nova Cultura Judaica.

Por que grupos judeus estão divididos sobre o plano?

Grupos judeus se dividiram sobre o plano nesta terça. A UJA-Federation, o JCRC-NY, o AJC de Nova York e o Conselho de Rabinos elogiaram elementos positivos, mas alertaram que o texto não resolve uma questão central.

A Liga Antidifamação (ADL) foi mais dura. Disse que Mamdani "fingiu não ver" bandeiras de grupos classificados como terroristas hasteadas em frente a sinagogas.

A entidade registrou que 40% dos incidentes antissemitas na cidade desde janeiro envolviam contexto relacionado a Israel. É essa lacuna, a ligação entre antissemitismo e as manifestações contra Israel, que segue dividindo a cidade com a maior população judaica fora de Israel.

Nem todos os críticos foram negativos. Amy Spitalnick, presidente-executiva do Jewish Council for Public Affairs, disse que a cidade "merece uma resposta de todo o governo" num momento de antissemitismo, extremismo e violência crescentes.

O relatório foi divulgado menos de uma semana depois de Netanyahu chamar Mamdani de antissemita em discurso na ONU.

O prefeito também esteve no centro da agenda internacional nas últimas semanas. Recebeu o presidente brasileiro Lula, que discutiu pobreza e custo de vida com ele em Nova York, depois de pedir o encontro ainda antes de assumir o cargo.

Mamdani também voltou a se reunir com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Nova York.

O ponto em aberto

O relatório amplia recursos contra crimes de ódio, mas não define quando a crítica a Israel deixa de ser postura política e passa a ser antissemitismo.

Segundo a ADL, essa questão está por trás de 40% dos incidentes antissemitas reportados na cidade desde janeiro. Enquanto ela não for respondida, o impasse com parte da comunidade judaica deve continuar.