Candidatos republicanos ao Senado dos EUA pedem o fim da guerra com o Irã, com a gasolina em alta antes das eleições de novembro. A deputada Ashley Hinson e o ex-deputado Mike Rogers romperam com o apoio que davam ao conflito.

No sábado (26), Trump disse ter rejeitado a mais recente proposta do Irã para encerrar os combates e reabrir o Estreito de Ormuz. Na Assembleia Geral da ONU, ele já havia alertado que poderia "aniquilar" o país persa caso a guerra continue.

Não dei absolutamente nenhuma importância à eleição quando se trata do Irã e não darei. Isso nem passa pela minha cabeça.

O galão de gasolina nos EUA subiu 52% desde o início da guerra, para US$ 4,48, segundo a AAA. O diesel avançou 71% no mesmo período e já passa de US$ 6,50 o galão.

O aumento no custo de transporte pressiona também os preços de alimentos nos EUA. O Congressional Budget Office (CBO), órgão de orçamento do Congresso americano, atribui à guerra 2,3 pontos percentuais da inflação anualizada de 5,3% no 2º trimestre.

Por que os republicanos estão recuando agora

Os republicanos recuam porque a guerra perdeu apoio dentro do próprio partido, à medida que o custo do combustível subiu. A aprovação caiu de 68%, em abril, para 53%, em 23 de setembro, queda de 15 pontos em cinco meses.

Segundo a revista Time, a aprovação recuou direto desde março. Foram 73% em março, 68% em abril, 60% em meados de setembro e 53% no dia 23. Entre os republicanos com menos de 45 anos, a maioria já desaprova o conflito.

No universo geral de eleitores americanos, apenas 25% consideram a guerra "que valeu a pena", e 47% dizem que o custo de vida é o fator mais importante para o voto em novembro.

"A guerra precisa ser levada a um fim bem-sucedido e imediato", disse Hinson em coletiva na sexta-feira (25), classificando-se como "incrivelmente frustrada" com o aumento dos custos. Rogers, candidato ao Senado por Michigan, disse na segunda (28) que a guerra "precisa acabar, e acabar rápido".

A resistência no partido cresce desde que Trump prometeu retomar os bombardeios ao Irã depois da eleição, caso o país não aceite as condições dos EUA.

A rejeição da proposta iraniana no fim de semana já havia levado o petróleo a disparar para US$ 106 o barril.

A escalada também chega ao Brasil. A mesma tensão no Estreito de Ormuz que pressiona a gasolina americana já havia feito o país sentir o efeito nos preços do diesel, decisivo para o transporte de cargas e a inflação de alimentos.

O que acontece agora

O próximo teste chega nas urnas: as eleições de meio de mandato ocorrem em 3 de novembro, e o resultado pode definir o controle do Congresso. Trump já disse que só espera negociar um novo acordo com o Irã depois da votação.

A queda de apoio dentro do próprio partido de Trump mostra que o desgaste eleitoral da guerra já pesa mais do que a vitória militar buscada por ele.

Faltam cerca de cinco semanas para as urnas.