A embaixada do Irã em Gana comparou o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, a Voldemort, vilão de Harry Potter, horas depois de seu discurso na Assembleia Geral da ONU nesta quinta-feira (24). Por trás da piada está uma guerra que já dura sete meses.
"Hoje, na ONU, o lorde das trevas deu uma lição de moral ao mundo. Até os Comensais da Morte saíram", escreveu a embaixada, com uma montagem feita por inteligência artificial.
Netanyahu discursou sob vaias e viu dezenas de delegações, entre elas a do Brasil, deixarem o plenário. Chamou-as de "covardes morais" e classificou a guerra, iniciada em fevereiro, de "batalha contra os bárbaros".
O que aconteceu na guerra em sete meses
O conflito começou em 28 de fevereiro, quando EUA e Israel atacaram o Irã e mataram o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país havia quase quatro décadas.
Um cessar-fogo em abril encerrou 40 dias de bombardeios, mas um acordo fechado em junho foi rompido em julho.
Um dia antes do post sobre Voldemort, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian usou a mesma tribuna da ONU para mostrar fotos de crianças mortas em bombardeio a uma escola em Minab, no sul do Irã.
Disse que Teerã não vai abrir mão do programa nuclear.
A delegação americana deixou o plenário durante a fala dele.
Enquanto trocam farpas em público, os dois lados também conversam em privado. O chanceler iraniano Abbas Araghchi se reuniu, à margem da Assembleia, com o enviado americano Steve Witkoff.
Também esteve na reunião Jared Kushner, genro de Donald Trump: foram as primeiras conversas diretas entre os dois lados desde o fim de junho.
O mercado sentiu o discurso antes de qualquer acordo sair do papel: o petróleo Brent bateu US$ 106,39 o barril, alta de 3,21%. As ações da Petrobras subiram mais de 3% na Bolsa brasileira no mesmo dia.
A guerra já vinha mexendo com o Brasil antes disso. Em agosto, o Irã chegou a prometer uma resposta "devastadora" aos EUA, e o governo brasileiro avaliou prorrogar o subsídio à gasolina por causa do risco de alta nos combustíveis.
Em setembro, a guerra no Irã turbinou a venda de petróleo brasileiro à China, e, já no dia seguinte a este discurso, o petróleo voltou a disparar após Trump e o Irã trocarem ameaças na ONU.
O que ainda está em aberto
Em público, Netanyahu chama adversários de "bárbaros" e o Irã responde com memes. Nos bastidores, negociadores dos dois lados voltaram a se falar diretamente pela primeira vez desde junho.
Sete meses depois do ataque que matou Khamenei, e com um acordo já rompido uma vez em julho, o intervalo entre o discurso de guerra e a mesa de negociação segue sendo a pergunta que os mercados de petróleo tentam precificar a cada nova ameaça.





























