O Mercado Livre passou a vender nesta sexta-feira (25) medicamentos de uso controlado, como antibióticos, canetas de Ozempic e antidepressivos, com autorização da Anvisa. Um farmacêutico da própria plataforma valida a receita médica antes de liberar cada pedido para entrega.
A novidade inclui a modalidade "Envios Agora", com entrega em até uma hora em áreas de São Paulo cobertas pela logística da empresa. Em outubro, o marketplace também vai abrigar lojas de três redes de farmácia.
A Anvisa havia revogado, em agosto, a proibição que existia desde 2019 e impedia o Mercado Livre de vender ou anunciar remédios. O mesmo modelo já vale para a Shopee, o iFood e o Rappi, todos amparados pela Lei 15.357, sancionada em março.
O Mercado Livre não vende o remédio por conta própria: a farmácia licenciada responde pela procedência e pela análise da receita.
Quem ganha e quem perde com a mudança?
As ações das redes de farmácia caíram na bolsa: Pague Menos recuou 8%, RD Saúde caiu 5,38% e Panvel, 4,90%. O próprio Mercado Livre também cedeu 2,51%, mesmo negociado a US$ 88,9 bilhões de valor de mercado.
O tombo contrasta com o otimismo que o varejo farmacêutico vinha atraindo de analistas de investimento nos meses anteriores ao anúncio.
"A conversão desses produtos é maior do que a de outros itens que temos na plataforma", disse Fernando Yunes, vice-presidente executivo de Comércio para a América Latina do Mercado Livre.
"A ideia não é competir com elas, mas ter elas vendendo dentro do Mercado Livre", disse Yunes. Mais de 30 mil pequenas e médias empresas já usam o assistente de vendas da plataforma, segundo Roberta Donato, vice-presidente de Marketplace.
Nem todo mundo no setor recebeu a novidade com entusiasmo. A Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) suspeita que o Mercado Livre não deu todos os detalhes sobre a operação e as parcerias futuras.
Seu diretor executivo aponta que o risco de falsificação é maior fora do ambiente regulado, na internet, e que a cadeia licenciada tem alto nível de proteção.
O ponto em aberto
A penetração do e-commerce no Brasil ainda é de 17% a 18%, patamar baixo que deixa espaço de sobra para o mercado de remédios online crescer nos próximos anos.
A dúvida é se esse crescimento vai puxar mais farmácias para dentro do Mercado Livre ou aprofundar a resistência das que preferem manter distância do marketplace que, até agosto, esteve seis anos proibido de vendê-los.





























