Fundos de investimento elevaram em 9,80% a aposta na alta do preço da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) na semana até 22 de setembro, segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), órgão regulador do mercado futuro dos Estados Unidos.

A posição líquida comprada em soja passou de 241.501 para 265.159 lotes no período. No milho, a posição líquida comprada caiu 2,50%, de 414.460 para 404.097 lotes.

Em trigo, os fundos fizeram o movimento oposto. A posição líquida vendida, aposta na queda do preço, aumentou 227%, de 3.674 para 12.016 lotes.

Por que a soja está subindo

A soja fechou em 24 de setembro a US$ 13,17 1/2 por bushel na CBOT, perto da maior cotação em três anos, puxada por compras chinesas recordes antes da visita do presidente Xi Jinping aos Estados Unidos.

A China comprou cerca de 1 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos em uma semana de setembro, elevando o total adquirido a quase metade das 25 milhões de toneladas que Pequim prometeu comprar por ano até 2028, segundo a Casa Branca.

O movimento chinês em direção aos EUA reduz o espaço que sobra para a soja do Brasil no maior comprador do grão do mundo. Foi o que mostrou outra reportagem da TV Sim Brasil sobre a queda nas exportações brasileiras na semana passada.

O que isso significa para o Brasil

O Brasil é o maior exportador mundial de soja e sente o efeito direto. O país exportou 9,8 milhões de toneladas em agosto, com receita de US$ 4,41 bilhões, segundo dados da Secex, órgão do governo que registra o comércio exterior.

A demanda chinesa pela soja brasileira tende a se manter forte, sustentada por prêmios de exportação mais baixos no Brasil. O equilíbrio do mercado global de soja hoje depende do entendimento entre Xi Jinping e Donald Trump, como já mostrou a TV Sim Brasil.

A própria alta do preço da soja ao maior patamar desde 2023 já havia chegado ao produtor brasileiro antes deste novo movimento dos fundos.

Em Mato Grosso, maior produtor nacional, o plantio da safra 2026/27 é permitido desde 7 de setembro e alcançava 1,15% da área projetada até 18 de setembro, com o ritmo limitado pela falta de chuva.