A Argentina pode faturar quase US$ 40 bilhões (R$ 207,7 bilhões) com exportações agrícolas em 2027, a segunda maior receita da história, diz a Bolsa de Comércio de Rosário. O país projeta colher 156 milhões de toneladas de grãos, no mesmo ciclo do Brasil.

Para 2026, a Bolsa estima receita de US$ 35,2 bilhões. O salto seguinte viria da combinação entre colheita excepcional, preços internacionais elevados e interrupções no abastecimento de concorrentes, segundo o relatório.

A arrecadação com impostos de exportação também deve crescer 16% em 2027.

Os preços do milho, do trigo e da soja seguem sustentados por riscos de abastecimento ligados ao conflito no Mar Negro, que reduziu a oferta de exportações russas e ucranianas.

Os agricultores argentinos venderam mais de 1 milhão de toneladas de milho por semana em quatro semanas seguidas. Os compromissos de exportação de trigo chegaram ao nível mais alto em cinco anos para esta época da safra.

A demanda da Ásia também cresceu, com a Indonésia entre os compradores das safras argentinas.

Como fica a disputa com o Brasil?

A disputa se acirra porque as duas maiores safras da história de Brasil e Argentina caem no mesmo ciclo. Uma projeção da consultoria Hedgepoint, citada pela Reuters, mostra que o Brasil pode elevar suas exportações de soja à China em 2026.

O aumento viria mesmo com mais concorrência dos Estados Unidos, numa equação que envolve menos vendas de grão argentino no mercado global.

A Conab projeta uma safra brasileira de grãos de 366,6 milhões de toneladas em 2026/27, recorde puxado por 181,64 milhões de toneladas de soja e 148 milhões de toneladas de milho, também recordes.

A própria Conab cita, em seu relatório, “a concorrência com os Estados Unidos e a Argentina, o câmbio e os custos” como fatores que pesam sobre as exportações do país.

Duas safras recordes disputando o mesmo comprador tendem a pressionar o preço que chega ao produtor brasileiro.

A Argentina, porém, reforça a posição principalmente no mercado de derivados como farelo e óleo de soja, mesmo com produção de grão menor que a brasileira.

A projeção da Hedgepoint aponta 85 milhões de toneladas de soja brasileira exportadas à China, puxadas pela demanda por farelo para o rebanho suíno chinês. É o mesmo movimento que já fez a soja do Brasil ganhar espaço na China enquanto os EUA recuam.

Mas a trajetória é sensível a decisões políticas. Como mostrou a disputa comercial entre Washington e Pequim, mudanças na relação entre China e Estados Unidos já derrubaram e já elevaram a fatia brasileira nas compras chinesas em poucas semanas.