Especialistas ouvidos pelo CNN Sinais Vitais afirmam que o início imediato da massagem cardíaca e o uso rápido do desfibrilador são decisivos para salvar vidas em caso de parada cardíaca. O cardiologista Sérgio Timerman diz que o primeiro choque precisa vir em até 3 minutos.

A médica emergencista Camila Lunardi, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede), reforça que o risco de agir é menor que o de não agir. Para ela, iniciar a massagem cardíaca é segura mesmo sem formação médica.

Quando a gente tá falando que o paciente já está em parada cardíaca, ele já tá na pior situação que ele pode estar. Literalmente, ele está morto.

afirmou Lunardi, ao explicar por que a massagem cardíaca de um leigo dificilmente piora o quadro.

Como agir nos primeiros minutos

A resposta muda pouco de lugar para lugar, segundo os especialistas: reconhecer a parada, pedir ajuda e começar a compressão torácica até o desfibrilador chegar.

  1. Reconheça os sinais: a pessoa não responde e não respira normalmente.
  2. Peça ajuda e acione o serviço de emergência (192 ou 193) imediatamente.
  3. Comece a compressão torácica sem interrupção, substituindo o batimento do coração.
  4. Use o desfibrilador assim que ele chegar, mesmo sem nunca ter usado um — para Lunardi, o leigo bem orientado já ajuda muito.

O que muda no resultado

O tempo de resposta é o que mais pesa no resultado. Em locais com desfibrilador disponível e equipe treinada, como estações de metrô, a sobrevivência sobe bem acima da média do país.

A sobrevivência a paradas cardíacas fora de hospitais no Brasil é de cerca de 15%, segundo estudos citados por sociedades médicas. No Metrô de São Paulo, que aplica o protocolo Código R há 20 anos, esse índice chega a 40%.

É mais que o dobro da média nacional — a diferença que separa quem tem treinamento e equipamento por perto de quem não tem.

Timerman resume o efeito: "Se você tiver que ter uma parada cardíaca em São Paulo, que seja aqui dentro do metrô." Ele cita ainda os cassinos de Las Vegas, onde o choque chega em menos de 1 minuto e a sobrevivência bate 70,6%.

A lei e outros casos recentes

A instalação do desfibrilador é obrigatória por lei em locais de grande circulação de pessoas, com equipe treinada para usá-lo, segundo Lunardi. Veja mais em como agir passo a passo em caso de parada cardíaca.

O mal súbito, mais amplo que a parada cardíaca, também tem um guia de primeiros socorros publicado por nós.

Na última semana, um homem foi reanimado sem sinais vitais após acidente de moto no Lago Paranoá, em Brasília.