Um temporal de granizo atingiu Santiago e Alegrete, no Rio Grande do Sul, no sábado (26). A Defesa Civil confirmou, no domingo (27), que o fenômeno afetou 6.347 pessoas e danificou 1.314 residências em dez municípios, sem mortos ou feridos.
Em Santiago, epicentro do temporal, moradores registraram pedras de granizo do tamanho da palma de uma mão, e o acúmulo chegou a cobrir o chão de branco. A cidade teve 4 mil pessoas afetadas e mil casas danificadas, o maior número do estado.
Alegrete somou 2 mil moradores atingidos e 300 residências com danos, além de um prédio público e da rede elétrica. Em Manoel Viana, 20 pessoas ficaram desalojadas temporariamente, segundo o mesmo balanço.
| Cidade | Pessoas afetadas | Casas danificadas |
|---|---|---|
| Santiago | 4.000 | 1.000 |
| Alegrete | 2.000 | 300 |
| Manoel Viana | 310 | 5 |
| Júlio de Castilhos | 28 | 7 |
| São Francisco de Assis | 9 | 2 |
O Instituto Federal Farroupilha suspendeu as aulas por tempo indeterminado no campus Alegrete depois de registrar danos significativos na estrutura. Equipes da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e do Exército atuam na resposta ao temporal na região.
Por que o Rio Grande do Sul não para de ter temporal em 2026?
O Rio Grande do Sul não vive um evento isolado. A Defesa Civil já soma cerca de 140 dos 497 municípios gaúchos com dano por chuva desde junho, segundo o mesmo órgão.
O granizo do fim de semana é o segundo temporal grave que o estado enfrenta em cinco dias.
Na madrugada de 21 de setembro, um temporal no Município do Rio Grande e em outras áreas do estado deixou 703 pessoas desabrigadas e mais de 560 mil afetadas em 145 municípios, segundo a Defesa Civil.
Quatro mortes foram confirmadas, três em Caxias do Sul e uma em Pelotas, além de uma pessoa desaparecida.
O padrão se estende desde o inverno. Em julho, a Defesa Civil já contabilizava 206 cidades atingidas pelas chuvas no estado.
Na semana passada, o Guaíba voltou a subir em Porto Alegre, mesmo sem chuva forte diretamente sobre a capital.
O climatologista Francisco Eliseu Aquino, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), atribui a sequência a uma combinação: a temperatura média do estado subiu mais de 1,5°C, criando o que ele chama de novo normal climático.
A combinação da mudança do clima com o El Niño amplia as possibilidades e aumenta essas fragilidades.
É esse novo normal que explica por que a primavera gaúcha de 2026 já teve dois temporais graves em menos de uma semana, além dos meses de enchente que vieram antes dele.
O fenômeno não é exclusivo do Rio Grande do Sul. O vizinho Paraná já soma 13 tornados neste ano, incluindo um que matou três pessoas em deslizamento de terra em Ponta Grossa.
Segundo o Simepar, os tornados paranaenses da mesma sequência foram gerados por um ciclone extratropical sobre o Rio Grande do Sul, o mesmo tipo de sistema por trás dos temporais gaúchos de 2026.
O que acontece agora
A Defesa Civil já alertava, na manhã de domingo, para novo risco de granizo de grandes proporções entre este domingo (27) e segunda-feira (28), com rajadas de vento acima de 90 km/h e chuva que pode passar de 200 mm em parte do estado.
Equipes seguem avaliando os danos em Santiago e Alegrete. O Instituto Federal Farroupilha ainda não definiu quando retoma as aulas no campus atingido.
Quanto tempo esse padrão climático deve durar
A sequência expõe uma pergunta estrutural sobre quantos meses de primavera e verão o Rio Grande do Sul ainda vai enfrentar nesse ritmo. Em cinco dias, o estado teve dois temporais graves, um deles fatal.
A marca chega a 140 municípios com algum tipo de dano por chuva desde junho. Aquino atribui o quadro a um novo normal climático, resultado da combinação entre o aumento de temperatura de longo prazo e o padrão El Niño.





























