O advogado ultradireitista Abelardo de la Espriella tomou posse como presidente da Colômbia às 15h de sexta-feira (7), em Cali, em vez da tradicional Bogotá. Ele sucede o esquerdista Gustavo Petro, que não reconhece o resultado da eleição. O Brasil foi representado pelo chanceler Mauro Vieira; o presidente Lula não compareceu.

A posse em Cali rompeu uma tradição de mais de 200 anos de cerimônias na capital colombiana. Espriella, de 48 anos, é milionário, tem também cidadania americana e adotou o apelido de campanha "El Tigre". Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da história do país, denuncia fraude no processo eleitoral, mas não apresentou provas.

Linha dura contra o narcotráfico

Espriella prometeu intensificar bombardeios contra acampamentos de guerrilhas ligadas ao tráfico, com apoio de Israel e dos Estados Unidos. Ele também planeja construir megapresídios nos moldes dos criados em El Salvador e encerrar as negociações de paz com organizações envolvidas no narcotráfico.

Entre outras promessas de campanha estão romper relações diplomáticas com Nicarágua e Cuba, extinguir o gabinete presidencial de paz e direitos humanos, e reduzir o tamanho do Estado colombiano em 40%. Espriella é aliado declarado de Donald Trump, que apoiou sua candidatura, e prometeu ao republicano uma relação Colômbia-EUA "como nunca antes".

Por que o Brasil mandou o chanceler

Lula não foi à posse por causa de compromissos da campanha eleitoral no Brasil e enviou Mauro Vieira em seu lugar. O chanceler participou de agendas diplomáticas sobre integração sul-americana, comércio, meio ambiente e segurança de fronteiras. Também estiveram na cerimônia os presidentes Javier Milei (Argentina), José Antonio Kast (Chile), Daniel Noboa (Equador), Santiago Peña (Paraguai) e José Raúl Mulino (Panamá).

A chegada de um governo alinhado a Trump na Colômbia reforça um movimento à direita entre vizinhos sul-americanos do Brasil. A agenda regional já inclui tensões diplomáticas na Venezuela e na Argentina.