O Republicanos reúne sua convenção estadual neste sábado (25), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte, sob um roteiro incomum: o partido chega ao encontro sem saber se seu principal nome, o senador Cleitinho Azevedo, será de fato o candidato ao governo do estado nas eleições de outubro. Favorito isolado nas pesquisas, o parlamentar transformou a própria indefinição na peça central do xadrez político mineiro.

Cleitinho já insinuou que pode adiar a palavra final até 5 de agosto, data-limite legal para a realização das convenções partidárias. "Por que eu vou decidir agora, se as pessoas não estão preocupadas com política neste momento?", questionou o senador, que lidera os levantamentos e diz não ter pressa em se antecipar a adversários com menor intenção de voto. O presidente estadual da sigla, Euclydes Pettersen, afirma que Cleitinho será o candidato, mas o próprio senador ainda não bateu o martelo.

A definição ficou ainda mais delicada pela morte do irmão mais novo dele, Matheus Augusto Azevedo, vítima de complicações de leucemia. A missa de sétimo dia está marcada para o mesmo sábado da convenção, o que deixou em aberto até a presença do parlamentar no evento do partido.

O que está em jogo no tabuleiro mineiro

A decisão de Cleitinho funciona como um interruptor para o restante da disputa. Se ele confirmar a candidatura, o Republicanos deve montar chapa encabeçada pelo senador, com o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão como vice, e tende a concentrar o apoio de PL, União Brasil e PP. Nesse cenário, o deputado Marcelo Aro (União Brasil) seguiria na corrida ao Senado.

Se recuar, o quadro se reorganiza: Aro passaria a ser cogitado para o governo, reunindo União Brasil, PP, Republicanos, Podemos e PL, enquanto o PL abandonaria planos de candidatura própria. Em qualquer das hipóteses, o nome de Cleitinho é o eixo em torno do qual os demais partidos calibram suas estratégias para 4 de outubro, quando os mineiros escolhem governador, dois senadores, deputados federais e estaduais.

Por que ele lidera com folga

Na pesquisa DataTempo mais recente, contratada pela Sempre Editora e registrada no TSE sob os números MG-02109/2026 e BR-07479/2026, Cleitinho aparecia com 27,7% das intenções de voto no primeiro cenário estimulado, à frente de Alexandre Kalil (PDT), com 18,3%. Vittorio Medioli (PL) somava 5,1%, Gabriel Azevedo (MDB), 4,5%, e Mateus Simões (PSD), 3,7%. O levantamento ouviu 1.000 eleitores entre 12 e 15 de junho, com margem de erro de 3,1 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%. O alto índice de indecisos e votos brancos ou nulos, somados, mostra que a corrida ainda tem espaço para mudar de forma — mas nenhum adversário conseguiu, até aqui, encostar no senador.