O senador Carlos Viana (PSD) anunciou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República na noite deste domingo (27), em vídeo publicado nas redes sociais. A decisão rompe com o PSD, que lançou o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado à disputa presidencial.

No vídeo, Viana resumiu a escolha:

Ou quente ou frio. O morno não serve. Nessa reta final, eu apoio Flávio Bolsonaro no primeiro turno para varrermos de vez a esquerda do nosso país.

Segundo aliados do senador, a virada foi calculada. Flávio é o único nome capaz de enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Pesquisa Quaest mostra Lula e Flávio tecnicamente empatados na disputa presidencial, dentro da margem de erro.

Por que Flávio não retribuiu o apoio

Flávio não fez o mesmo gesto por Viana na disputa mineira. Em agenda no dia 24 em Teófilo Otoni, ele pediu voto para os rivais do senador ao Senado por Minas Gerais, Domingos Sávio (PL) e Marco Antônio "Superman" Costa (Novo), sem citar Viana.

O aceno de Viana ao bolsonarismo não teve contrapartida pública de Flávio na disputa pelas duas vagas de Minas Gerais. Dias antes, o senador havia publicado vídeo elogiando o senador Alfredo Gaspar (PL-AL), companheiro de chapa de Flávio, chamando-o de "futuro vice-presidente da República".

"Não é estranho chamar de mentira e depois fazer a mesma coisa?", disse Superman, ao criticar a aproximação de Viana e citar divergências dele sobre o impeachment de ministros do STF.

PSD também está rachado na disputa presidencial

O PSD não tem apoio unificado à candidatura que o próprio partido oficializou em julho, com Kassab de vice. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, do mesmo partido, condiciona seu apoio a um debate sobre pontos divergentes.

"A anistia interrompe a conversa com uma parte importante da população", afirmou Leite, ao criticar a promessa de anistia defendida por aliados de Bolsonaro. Em Minas Gerais, o governador Mateus Simões, também do PSD, deve apoiar Romeu Zema para a Presidência, não Caiado.

Em entrevista à Folha de S.Paulo e à UOL, o próprio Caiado reconheceu a fragmentação, mas destacou o apoio dos governadores do Paraná e do Rio Grande do Sul, "os dois com maior projeção na política e mais bem avaliados".

A migração de Viana para o campo de Flávio é também a sexta troca de partido do senador, que já passou por PSC, PMN, PHS, MDB, PL e Podemos antes de voltar ao PSD em abril deste ano, na chapa de Mateus Simões.

A disputa pela segunda vaga do Senado mineiro segue aberta entre 17 candidatos registrados no TSE. Pesquisa Real Time Big Data mostrou Viana tecnicamente empatado com Sávio, atrás de Marília Campos (PT), hoje à frente na corrida.

O que acontece agora

O primeiro turno é em 4 de outubro, e as duas vagas ao Senado por Minas Gerais vão para os mais votados, sem necessidade de segundo turno. Falta saber se o apoio de Viana a Flávio vira palanque conjunto até lá.