O núcleo de Belo Horizonte do Grupo Mulheres do Brasil reuniu nesta quinta-feira (1º) as candidatas ao Senado por Minas Gerais Áurea Carolina (PSOL) e Marília Campos (PT), no estúdio da TV Sim Brasil. A mediação foi da empresária Betânia Tanure.

O encontro integra a campanha nacional Pula pra 50%, do Grupo Mulheres do Brasil, que defende mais mulheres em espaços de decisão.

Mulheres são mais de 51% da população brasileira e ocupam cerca de 18% das cadeiras no Congresso Nacional, apontou a reportagem da TV Sim Brasil que abriu o debate.

Assista à reportagem de Mariana Reis, da TV Sim Brasil, sobre o encontro:

"A melhor forma de ocupar esses espaços de decisão é a gente ter debates claros, honestos, com consciência cívica. Nós precisamos ter clareza em quem votar, por que votar", disse Betânia Tanure, vice-presidente do Grupo Mulheres do Brasil, na abertura do encontro.

Nós não queremos puxar mulher porque é mulher, nós queremos puxar mulher porque tem muita mulher boa.

A frase é de Fernanda Andrade, presidente do núcleo BH do Grupo Mulheres do Brasil. Para ela, as mulheres vão somar com os homens, não competir com eles.

O jejum de 36 anos no Senado

Minas Gerais não elege uma mulher para o Senado há 36 anos, apontou a reportagem da TV Sim Brasil. Em 202 anos de existência da Casa, o estado teve só uma senadora, Júnia Marise, eleita em 1990.

A lembrança é de Marília Campos, que citou o dado durante o debate.

"A gente sabe que cidades que são boas para as mulheres são boas para todas as pessoas. Cidades com mais creches, cidades mais iluminadas, cidades com mais mobilidade, cidades que seja para todos e para todas numa perspectiva da inclusão", disse a candidata do PT.

A candidata do PSOL Áurea Carolina disse que "uma preocupação grande é com o aumento do custo de vida" e apontou o peso sobre mulheres pobres, chefes de família, mães solteiras e mulheres negras sem acesso pleno à proteção social do Estado.

Em vídeo publicado pela TV Sim Brasil na mesma quinta, Marília Campos afirmou que sua situação é diferente da que derrubou Dilma Rousseff no Senado por MG em 2018, quando a ex-presidente liderou as pesquisas e ficou de fora.

A candidata citou a pesquisa Datafolha divulgada no mesmo dia, registrada na Justiça Eleitoral sob o número MG-09729/2026, que a colocava à frente dos demais candidatos ao cargo.

A sub-representação não é exclusividade do Senado. Levantamento da própria TV Sim Brasil mostra que as mulheres ocupam só 17,2% das cadeiras na Câmara dos Deputados, mesmo sendo 52,8% do eleitorado nacional.

O advogado João Rafael Soares, com sete anos de atuação no Senado Federal, também participou do encontro. Disse que as pautas femininas ficam em segundo plano pela falta de representatividade.

Minas Gerais tem números alarmantes de feminicídio, segundo Soares. O estado está entre os que mais registram processos por violência política de gênero no país, aponta painel do TSE.

O que acontece agora

Minas Gerais vai às urnas neste domingo (4) para escolher dois novos senadores, entre 16 candidatos que disputam as duas vagas abertas no estado. O resultado vai dizer se Minas elege uma segunda mulher para o cargo, 36 anos depois de Júnia Marise.

A reportagem é de Mariana Reis, da TV Sim Brasil. A íntegra do debate está disponível no canal da emissora no YouTube.