A Polícia Federal cumpriu três mandados de busca e apreensão neste sábado (26) contra servidores da Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR), suspeitos de usar a estrutura do órgão para pressionar colegas a apoiar dois candidatos nas eleições de outubro.

A operação, batizada de Auctoritas, apura suspeita de coação e de compra de votos dentro da própria Defensoria.

Mensagens de um grupo de WhatsApp, obtidas pela Rede Amazônica e publicadas pelo g1, mostram o coordenador de comunicação da DPE-RR, Celton Ramos dos Santos, cobrando meta de 100 convidados para um evento partidário.

Maços de dinheiro apreendidos ao lado de bolsa da Polícia Federal, em foto de arquivo de outra operação
Maços de dinheiro apreendidos em ação da Polícia Federal (foto de arquivo, de outra operação) — Foto: PF/Divulgação

O que mostram as mensagens

Nas capturas de tela, Celton cobra resultado dos servidores escalados para o evento. O planejamento incluía cálculo de lanches e carros de aplicativo para o transporte dos convidados até o local do encontro.

Quando soube que parte da equipe faltaria, reagiu no grupo: “O que houve? Estava tudo alinhado [...] esses casos isolados preciso saber no meu PV [privado]”.

Pessoal, como estão os convites! Mandem a lista de confirmados!

A Justiça Eleitoral também autorizou buscas contra Manoel Filho de Sousa Borer, que abordava eleitores nas ruas para recolher documentos, segundo a investigação, e Ana Katia Magalhães de Souza, assessora especial da DPE-RR.

Ana Katia é apontada como responsável por negociar diretamente a compra de votos em Boa Vista. Os mandados foram cumpridos em Boa Vista e em Rorainópolis, no Sul do estado.

Segundo a Polícia Federal, a suspeita é de que a estrutura da Defensoria tenha sido usada para beneficiar um candidato a deputado estadual e um candidato à reeleição como deputado federal. Nenhum dos dois foi alvo dos mandados.

As identidades dos dois candidatos não constam nas informações tornadas públicas até o momento.

Os investigados podem responder por coação eleitoral, corrupção eleitoral, ameaça e associação criminosa. Nenhum deles foi condenado ou apresentou defesa pública sobre o caso até a publicação desta reportagem.

Em nota ao g1, a Defensoria informou que desconhece as práticas investigadas. A direção do órgão disse não ter recebido denúncia oficial sobre o envolvimento de servidores e afirmou estar à disposição das autoridades.

O que acontece agora

A Operação Auctoritas ocorre oito dias antes do primeiro turno em Roraima. Os mandados foram expedidos pela Justiça Eleitoral a partir de representação da própria PF, e o material apreendido segue em análise para embasar eventual denúncia.

Não é a primeira vez que a PF mira suspeita de compra de votos na reta final de 2026. Em setembro, a corporação também investigou o deputado Ricardo Abrão por suspeita de compra de votos no Rio.

Em Roraima, a disputa ao governo do estado segue à parte da investigação.