Cleitinho Azevedo (Republicanos), candidato ao governo de Minas Gerais, discursou neste domingo (20) ao lado de uma bandeira de Lula durante agenda em Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha. Mesmo apoiando Flávio Bolsonaro para presidente, ele defendeu um governo de diálogo.
Segundo o Estado de Minas, a cena ocorreu em uma sequência de agendas pelo Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha e Vale do Aço. Nos eventos, apareceram bandeiras de correntes políticas diferentes, mesmo sem ligação formal com a candidatura de Cleitinho.
“Eu tenho a obrigação agora, se Deus abençoar governador, de pacificar o país. Nós somos um só povo”, afirmou o candidato, segundo o jornal.
O gesto tem peso porque Cleitinho já declarou apoio a Flávio Bolsonaro e disse que fará campanha para o senador do PL.
A cena embaralha os palanques.
Em outro momento, afirmou que quem votar nele deveria votar em Flávio, de acordo com o Estado de Minas.
A bandeira de Lula ao lado do candidato expõe a tensão central da campanha mineira: Cleitinho tenta falar com eleitores de polos opostos sem romper com o campo bolsonarista. A TV Sim já mostrou que PT e PL tentam brecar Cleitinho na disputa estadual.
A Folha registrou que candidatos ao governo de Minas têm tentado se descolar dos presidenciáveis no horário eleitoral. Lula apoia Patrus Ananias (PT), enquanto Flávio Bolsonaro apoia Flávio Roscoe (PL), não Cleitinho.
O próprio Flávio já elogiou Cleitinho como “um cara do bem”, segundo o Estado de Minas, mas o palanque formal do PL no estado é Roscoe. Em agosto, a Folha noticiou caminhada de Flávio em Belo Horizonte ao lado de Roscoe e Nikolas Ferreira.
Cleitinho também levou a agenda para o recorte regional. Ele defendeu atenção especial ao Norte de Minas e ao Vale do Jequitinhonha, com a proposta de instalar um gabinete administrativo na região para despachar do interior.
A pauta regional se soma a temas que já entraram na campanha mineira. Nas sabatinas com candidatos ao governo de MG, saúde e dívida pública apareceram entre os assuntos mais cobrados.
Qual é o cálculo de Cleitinho?
O cálculo de Cleitinho é manter o apoio nacional a Flávio Bolsonaro sem fechar a porta para eleitores lulistas ou independentes em Minas. O candidato tenta vender a ideia de que, se eleito, conversará com qualquer presidente.
Em entrevista ao UOL em agosto, ele disse que faria seu palanque “com o povo” e que buscaria renegociar a dívida de Minas com o governo federal. Essa promessa exige diálogo institucional, qualquer que seja o vencedor presidencial.
O que acontece agora
O próximo teste é saber se a estratégia de conciliação sobrevive à reta final da campanha. Cleitinho tenta ampliar alcance no interior enquanto adversários exploram vínculos nacionais para colá-lo a Flávio Bolsonaro ou cobrá-lo por ambiguidades.
A campanha mineira também tem disputa por temas locais. Cleitinho já prometeu rever contratos de pedágio em Minas, e adversários tentam puxar a eleição para gestão, dívida e serviços públicos.













































































