A Justiça do Ceará revogou nesta quinta-feira (1º) a prisão preventiva de João Munhoz Neto, 34 anos, namorado de Isabelle Caracristi, morta em Fortaleza em 13 de setembro. A 5ª Vara do Júri impôs tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar e distanciamento da família da vítima.

O Juízo acolheu manifestação do Ministério Público do Ceará, que já havia se posicionado a favor da soltura na quarta-feira (30).

Além da tornozeleira eletrônica, João deve cumprir recolhimento domiciliar das 20h às 7h, comparecer mensalmente à comarca e não pode se aproximar de familiares de Isabelle nem das testemunhas do caso.

Procurada pela Folha de S.Paulo logo após a decisão, a advogada de João, Lígia Peixe, disse estar "correndo atrás pelo menos para ver se ele ainda dorme em casa hoje".

A defesa nega as acusações e sustenta que não há elementos de postura controladora ou de violência psicológica por parte do cliente.

O impacto da soltura não prejudica o andamento das investigações, pela busca da verdade real.

A frase é de nota assinada pelos advogados da família de Isabelle, que classificaram a decisão como motivo de "profunda preocupação" pelo impacto emocional. Eles afirmam que vão pedir nova prisão caso João descumpra qualquer uma das medidas cautelares.

João foi preso em 22 de setembro, dias após a Polícia Civil decretar a prisão por suspeita de indução ao suicídio e violência psicológica contra a namorada. Isabelle foi encontrada morta no pátio do condomínio onde morava com ele, no bairro Aldeota.

A morte gerou repercussão política. Dias depois, o governador Elmano de Freitas (PT) determinou rigor na investigação, hoje conduzida pelo Grupo Especial de Investigação da Polícia Civil.

Até a última segunda-feira (28), a corporação já tinha ouvido 28 pessoas e a perícia forense havia concluído 13 análises periciais, com 20 peritos e auxiliares no caso. Celulares e imagens de câmeras de segurança seguem em análise.

Em áudios enviados a um primo pouco antes da morte, divulgados pelo "Fantástico" e com veracidade confirmada pela defesa da família, Isabelle relatou temer o namorado.

"Estão acontecendo coisas sérias, coisas graves, que eu venho guardando só para mim. São ameaças diretas vindas dele, entendeu?", disse ela.

Entre as testemunhas ouvidas no fim de semana estão a síndica do prédio e a ex-mulher de João. Imagens de câmeras de segurança mostram os dois juntos na noite da morte de Isabelle, numa missa no bairro de Fátima, segundo o "Fantástico".

O que acontece agora

A investigação segue sob sigilo, segundo o Ministério Público, com celulares e imagens de câmeras ainda em análise pericial. A soltura não significa arquivamento do caso. Um novo pedido de prisão pode ser feito se João descumprir qualquer uma das cautelares.

O caso é tocado pelo Grupo Especial de Investigação, formado por equipes da 2ª Delegacia da Capital, da Delegacia de Defesa da Mulher e do Departamento de Homicídios.

Não há data prevista para a conclusão do inquérito.

Em caso de pensamentos suicidas ou para apoiar alguém em sofrimento, o CVV atende de graça pelo telefone 188, 24 horas, todos os dias.