Conrad "Cronos" Lant, vocalista, baixista e um dos fundadores do Venom, morreu aos 63 anos nesta quinta-feira (1º), anunciou a banda britânica em nota. A causa não foi informada. Ele era o integrante mais longevo do grupo, criado em Newcastle há mais de quatro décadas.
O Venom surgiu no fim dos anos 1970, e Cronos entrou em 1979, vindo da banda Guillotine, quando adotou o nome artístico. Ele também desenhou o logotipo e ajudou a criar a identidade visual do grupo.
O segundo álbum da banda, "Black Metal", de 1982, deu nome ao gênero que se consolidaria nos anos seguintes, embora o som do Venom fosse diferente do que o black metal se tornou depois.
Em turnês pelos Estados Unidos, o Venom teve como banda de abertura nomes que se tornariam referência do metal pesado, como Metallica e Slayer.
No Brasil, a mesma sonoridade chegou a Belo Horizonte no começo dos anos 1980 e ajudou a formar o Sepultura, criado em 1984 pelos irmãos Max e Igor Cavalera.
Wagner Lamounier, guitarrista e vocalista original do Sepultura, deixou a banda em 1985 para fundar o Sarcófago. As duas bandas mineiras citam o Venom como referência direta na formação do som.
O álbum "Morbid Visions", gravado pelo Sepultura em dois dias, em 1986, ajudou a consolidar a cena de Belo Horizonte e abriu caminho para outros grupos locais, como Mutilator e Holocausto.
Quatro décadas depois do primeiro disco do Venom, o metal extremo gestado em Belo Horizonte ainda carrega a marca daquele som.
O Venom lançou 16 álbuns de estúdio ao longo da carreira, o mais recente, "Into Oblivion", em maio deste ano. Cronos se apresentou com a banda pela última vez em julho, na Itália.
Quero agradecer a todas as Legiões por todo o apoio que vocês deram ao meu pai ao longo dos anos. Sei que ele realmente apreciava todos vocês. Ele entregou sua alma, e sua música continuará viva.
A mensagem é de Nathan, filho de Cronos, publicada no Instagram oficial do Venom. A morte de uma referência do metal pesado ocorre pouco depois de o Sepultura se despedir do Rock in Rio no tradicional dia do metal, no mês passado.
Belo Horizonte, berço do Sepultura e do Sarcófago, também celebra todo ano o Dia Mundial do Rock com festivais locais.
O ponto em aberto
Cronos foi o último fundador do Venom ainda na ativa, e a banda não disse se segue sem ele.
A dúvida alcança também a cena que ele ajudou a inspirar a distância. Sepultura e Sarcófago já renovaram formações diversas vezes nas últimas décadas, mas mantêm vivo um som nascido da mesma faísca ouvida em Belo Horizonte nos anos 1980.






























