O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou nesta quinta-feira (1º) as duas maiores montadoras do Irã, a Iran Khodro (IKCO) e a SAIPA, além de três empresas ferroviárias do país. As companhias respondem por mais de 90% do mercado automotivo iraniano.

A medida integra a Operação Pária Econômico, anunciada pelo Tesouro em 24 de agosto. O programa busca cortar o financiamento do Irã para a guerra, a fabricação de mísseis, ataques cibernéticos e o Corpo da Guarda Revolucionária (IRGC).

Segundo o Tesouro, o programa também tenta forçar Teerã a negociar o fim do conflito aberto pelo ataque dos EUA e de Israel contra o país, há cerca de sete meses.

Atinge diretamente aqueles que dão sustentação ao Irã e prepara o terreno para que os EUA e nossos parceiros eliminem, de uma vez por todas, as fontes de receita do regime.

A frase é do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent. Com o petróleo iraniano bloqueado no Estreito de Ormuz, Teerã passou a depender mais do transporte rodoviário e ferroviário para movimentar petróleo, fertilizantes e produtos químicos.

É exatamente essa rota alternativa que a nova rodada de sanções mira.

Entram na lista a estatal Islamic Republic of Iran Railway Company, que presta serviço de transporte de passageiros e cargas, a Raja Passenger Trains Company e a Sherkat-E Rah Ahan-E Khamle-O-Naghle, descrita pelo Tesouro como uma das principais transportadoras ferroviárias de cargas do país.

"Ou o Irã assina um acordo, ou não existirá mais", declarou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a jornalistas nesta quinta-feira, voltando a pressionar Teerã por uma negociação.

O efeito prático das sanções, porém, tem limite. Boa parte do petróleo iraniano segue embarcada para a China, que não reconhece as sanções americanas anteriores.

A China manteve as compras mesmo depois de rodadas parecidas, como a que atingiu cerca de 50 empresas e 30 pessoas ligadas ao regime em agosto.

O que isso significa para o preço da gasolina no Brasil?

O efeito chega pela Petrobras, que segue a paridade internacional de preços. Com o Brent perto de US$ 100 em meio à tensão entre Washington e Teerã, a pressão sobe também na bomba brasileira, mostra o acompanhamento da TV Sim Brasil.

O tensionamento com o Irã já havia batido antes em outro setor da economia brasileira: em agosto, Trump chegou a ameaçar sanções que reacenderam o risco para exportações do agronegócio brasileiro.

A guerra entre EUA e Irã, iniciada com os ataques de março, segue sem data para acabar. Trump já afirmou que pode retomar bombardeios ao país.

O governo iraniano mantém sua própria lista de exigências para encerrar o conflito, que inclui o fim do bloqueio naval e garantias sobre o programa nuclear.