O sistema de ingressos FutebolCard identifica, no momento da compra, torcedores com mandado de prisão ou outro problema na Justiça. A informação é do sócio-fundador Robson Carlo, ao CNN Esportes S/A deste domingo (27). O alerta pode chegar aos clubes, que acionam as autoridades.

"Se ele for ao estádio e tiver algum problema com a Justiça, e todas as medidas vão acontecer", disse Carlo ao apresentador João Vitor Xavier.

Como o sistema identifica o torcedor?

O sistema identifica o torcedor cruzando os dados da compra do ingresso com registros judiciais, como mandados de prisão em aberto. Encontrada a pendência, a FutebolCard pode alertar o clube, que aciona as autoridades antes ou durante a partida.

"Um trabalho que o governo fez na parte de segurança. [...] A ideia é que, no momento em que um torcedor tem algum problema, ele não vai conseguir frequentar mais aquela competição", completou Robson Carlo. A meta inclui, no futuro, restringir o acesso aos estádios.

Quantos clubes já adotam esse tipo de controle?

A FutebolCard atende mais de 25 clubes e arenas no Brasil, com uma base de mais de 10 milhões de cadastros de torcedores. A empresa já vendeu mais de 150 milhões de ingressos e movimenta mais de R$ 300 milhões por ano.

A meta é chegar a R$ 1 bilhão em cinco anos.

O controle de acesso do torcedor também ficou mais rígido nos últimos anos. Desde 14 de junho de 2025, a biometria facial obrigatória nos estádios brasileiros vale para arenas com mais de 20 mil lugares, caso do Maracanã e do Allianz Parque.

O acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo já resultou em 220 prisões nos jogos do Allianz Parque.

Nem todo especialista vê a tecnologia de identificação de torcedores sem ressalva. Em abril de 2025, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) apontou irregularidades no reconhecimento biométrico de 23 clubes de futebol.

A fiscalização encontrou coleta de dados de crianças e adolescentes em desacordo com a Lei Geral do Esporte, que limita o cadastro biométrico a maiores de 16 anos.

Em nota técnica, a ANPD registrou que não é possível saber se o clube coleta o consentimento do torcedor de forma livre e informada e deu prazo de 20 dias úteis aos clubes para explicar o tratamento dos dados.

O interesse por esse tipo de ferramenta cresce enquanto a violência ligada a jogos segue registrada em número oficial. A Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública do Ceará (Supesp) registrou 6.652 ocorrências associadas a eventos esportivos no estado entre 2015 e 2025.

Os dados, obtidos via Lei de Acesso à Informação, mostram que 79,29% dessas ocorrências aconteceram em dias de jogo do Ceará ou do Fortaleza na capital.

Uma briga de torcidas antes de um jogo em Bauru, em agosto, também deixou feridos, do mesmo tipo de episódio que o setor tenta reduzir. Em fevereiro, confrontos antes de um Clássico-Rei, em Fortaleza, resultaram em mais de 350 prisões.

A CBF também reagiu ao problema. A entidade criou uma comissão para enfrentar a violência no futebol.

Casos de torcedor identificado por problema com a lei não são hipotéticos. Em setembro, um torcedor do Sport foi preso no Recife acusado de agredir um policial militar.