A Polícia Federal arquivou nesta quarta-feira (7) o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para investigar suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições de 2026. A Diretoria de Inteligência da corporação não encontrou elementos que justificassem abrir um inquérito policial.

O pedido havia sido enviado à PF depois de uma reportagem do jornal britânico The Guardian sobre recursos do governo Trump destinados a grupos críticos ao STF no Brasil. A representação foi assinada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias.

Segundo a reportagem, cerca de US$ 1 milhão teria sido destinado a um projeto batizado de "Countering Deliberative Litigation and Censorship in Brazil", voltado a criticar o que o próprio projeto chamou de abuso de poder judicial no país.

O que a PF concluiu sobre o pedido da AGU?

A PF concluiu que não havia indícios mínimos de crime que comprovassem atuação do governo dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro. Também não confirmou a transferência efetiva de recursos, nem os valores ou destinatários.

O caso nunca chegou a virar inquérito formal. No domingo (4), dia da votação do primeiro turno, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, havia confirmado a abertura de um procedimento preliminar para analisar as suspeitas.

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"Recebemos uma representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa. [...] É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso", disse Rodrigues à CNN Brasil naquele dia.

Como o TSE reagiu ao anúncio da PF?

Uma ala de ministros e assessores do TSE viu "exagero" na abertura do procedimento. Temia que o episódio abrisse caminho para judicializar indevidamente o resultado da eleição.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, já havia dito no mesmo domingo que a Justiça Eleitoral não identificou nenhum indício de interferência estrangeira no primeiro turno.

Parte dos ministros interpretou o movimento da PF como uma tentativa de enfraquecer a gestão dele à frente do tribunal.

A apuração nasceu de uma reportagem estrangeira e terminou arquivada três dias depois, sem confirmar nem descartar por completo a existência do financiamento citado pelo Guardian.

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O desfecho acontece no mesmo dia em que democratas dos EUA enviaram carta ao secretário de Estado americano cobrando explicações sobre o mesmo tema, agora em Washington.

O pedido de apuração havia sido anunciado pelo governo em 1º de outubro, e a PF chegou a confirmar a abertura do procedimento três dias antes do arquivamento.

Com o 2º turno marcado para 25 de outubro, o episódio se encerra sem decisão sobre o mérito da denúncia original.