As três últimas pesquisas divulgadas antes do primeiro turno, neste sábado (3), concordam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O que elas não concordam é o tamanho dessa vantagem.
Pela Quaest, contratada pela Globo, Lula tem 46% dos votos válidos contra 45% de Flávio. É 1 ponto de diferença, dentro da margem de erro de 2 pontos: um empate técnico.
Pela Datafolha, contratada por Folha e Grupo Globo, Lula tem 45% contra 42% de Flávio, 3 pontos de vantagem, também dentro da margem de erro de 2 pontos.
Já pela CNT/MDA, a diferença chega a 5,7 pontos: Lula com 47,8% contra 42,1% de Flávio, resultado que fica fora da margem de erro de 2,2 pontos da pesquisa.
A diferença entre as pesquisas não é erro: é o retrato de três amostras diferentes, cada uma com sua própria margem.
O que explica pesquisas tão diferentes na mesma véspera?
A diferença não está na época da coleta: as três ouviram eleitores entre 30 de setembro e 3 de outubro. Está no tamanho e na composição da amostra, e também no método de abordagem de cada instituto.
A Quaest ouviu 3.702 eleitores; a Datafolha, 4.006; a CNT/MDA, 2.007, em entrevistas presenciais, domiciliares e em pontos de fluxo. Amostras menores tendem a produzir resultados com mais oscilação de uma pesquisa para outra, mesmo com margem de erro parecida.
O cenário também ajuda a explicar parte da distância: a Datafolha já havia identificado, na mesma pesquisa de sábado, que Lula está mais fraco no Nordeste e Flávio mais forte no Sul.
Essa divisão regional pesa de formas diferentes conforme a amostra de cada instituto equilibra as regiões do país.
As três pesquisas têm nível de confiança de 95% e cenário estimulado, com os nomes dos candidatos apresentados ao entrevistado. Estão registradas no TSE sob os números BR-01708/2026 (Datafolha), BR-02197/2026 (Quaest) e BR-04756/2026 (CNT/MDA).
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Como a disputa mudou desde o início da propaganda
A distância entre os dois candidatos também diminuiu ao longo da campanha. Na primeira pesquisa Datafolha da propaganda eleitoral, em agosto, Lula tinha 39% contra 33%, vantagem de 6 pontos.
Na pesquisa de véspera, a mesma Datafolha mostra apenas 3 pontos de distância entre os dois.
A eleição também ganhou atenção fora do Brasil. A imprensa internacional cobriu a disputa com foco na postura do presidente americano Donald Trump, que repetiu que observa o pleito brasileiro "bem de perto".
O ponto em aberto
Nenhuma das três pesquisas erra sozinha: cada uma tem seu próprio intervalo de confiança, e o resultado real da eleição pode estar dentro da margem de qualquer uma delas.
A pergunta que esta eleição deixa para depois da apuração é outra: qual instituto chegou mais perto, e por quê.
É uma resposta que só a comparação entre o resultado oficial do TSE e os números de cada pesquisa, feita depois da apuração, pode dar — e que deve pesar na credibilidade dos institutos para a próxima eleição.
































