O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou na sexta-feira (25) a Medida Provisória 1.394/2026, que proíbe bets e cassinos on-line a partir de 6 de outubro. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostra que 75% dos brasileiros apoiam a proibição, a nove dias do 1º turno.
A oposição chamou a decisão de eleitoreira. O senador e candidato à reeleição Marcio Bittar (PL) classificou a proibição como "jogada eleitoreira".
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) chamou a MP de "hipócrita, eleitoreira e populista" e disse que Lula age de forma desesperada na véspera do 1º turno.
Para ele, o governo deveria ter regulado as bets antes, e só agora tenta se apresentar como quem combate o setor.
Para o psicólogo e jornalista Eduardo Sincofsky, autor do livro "A Polarização no Divã" (Mórula Editorial), a proibição é uma retomada de narrativa eleitoral por Lula. Ele pesquisa comportamento político há mais de 30 anos.
O pesquisador defende que o país vive um cansaço de polarização afetiva, fenômeno em que a discordância evolui para rejeição do adversário.
"É condição necessária para ganhar voto, mas não o suficiente. Lula não percebeu ainda todo o proveito que poderia tirar da situação", avalia Sincofsky.
Segundo o pesquisador, o eleitor indeciso pode enxergar a proibição como um gesto corajoso.
O governo hesitou meses antes de editar a MP, e Sincofsky pondera que o discurso usado por Lula ao anunciar a medida não chega aos grupos mais preocupados com o próprio endividamento.
O que mostra a pesquisa sobre o apoio à proibição?
A pesquisa aponta que 75% apoiam banir as bets, 17% discordam e 8% não opinam. O levantamento da AtlasIntel/Bloomberg ouviu 5.015 adultos entre 17 e 22 de setembro, com margem de erro de um ponto percentual e registro BR-04739/2026 no TSE.
Na pesquisa anterior do mesmo instituto, em abril, o apoio à proibição era de 73%, e a rejeição, de 21%. Ou seja, o apoio subiu 2 pontos e a rejeição caiu 4 pontos em cinco meses.
Há um precedente parecido há 26 anos. Como prefeito de São Paulo, Paulo Maluf também vetou o cigarro em lugares fechados e obrigou o uso do cinto de segurança.
O Datafolha da época mostrava apoio de 75% e 90%, respectivamente, e Maluf terminou o mandato aprovado por 47% dos paulistanos, elegendo o sucessor Celso Pitta.
Mas o apoio à proibição não resolve, sozinho, o problema de quem já contraiu dívida em plataformas de aposta — esse público é o que Sincofsky vê fora do alcance do discurso presidencial até agora.
O que acontece agora
A partir de 6 de outubro, segundo o Ministério da Fazenda, os aplicativos de apostas saem do ar no país. Lula ainda deve enviar ao Congresso um projeto de lei com penas para quem explorar, operar ou divulgar bets.
Para valer de forma definitiva, a MP 1.394/2026 precisa ser votada por Câmara e Senado em até 120 dias.
A proibição deve tirar R$ 5,3 bilhões do Orçamento de 2027, segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, e o setor prevê mais ações na Justiça.
O impacto também chega ao futebol. Catorze dos 20 clubes da Série A têm patrocínio máster de bets, contratos que somaram R$ 1,1 bilhão só em 2026 e precisam sair das camisas até 5 de outubro.





























