A revista britânica The Economist classificou como "sombria" a disputa entre Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) pela Presidência, a 9 dias do 1º turno. A publicação diz que nenhum dos dois é confiável para enfrentar a corrupção do país.

Segundo o editorial, o "futuro brilhante do Brasil ficará em suspenso por pelo menos mais quatro anos" diante da liderança dos dois nas pesquisas para o cargo mais alto do Executivo.

Um dia antes, chamou Flávio de "nepotismo vingativo" e Lula de "esquerdista caduco".

Quando a capital, Brasília, foi construída na década de 1950, suas ruas foram traçadas no formato de um avião, simbolizando um país pronto para decolar. No entanto, ainda está presa na pista.

A revista lista os recursos do país: reservas de petróleo, a Floresta Amazônica, capacidade hidrelétrica, terras agrícolas produtivas e potencial de terras raras. Para a Economist, o próximo presidente precisa controlar a dívida pública e a inflação para reduzir os juros.

Na avaliação da revista, Lula falhou em promover reformas econômicas. O editorial também questiona a idade do presidente, 81 anos, numa comparação com o ex-presidente americano Joe Biden.

Flávio é descrito como um político que nega as mudanças climáticas e a integridade das urnas, e que "insinua que não acatará o resultado" caso Lula vença. A revista também associa o senador a "criminosos violentos".

O editorial cita ainda o escândalo do Banco Master e as relações de Daniel Vorcaro com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo investigações policiais citadas pela publicação, cinco dos 11 ministros do STF tinham ligações com Vorcaro.

Do outro lado, o ministro da Fazenda, Dario Durigan rebateu as críticas em artigo publicado na própria Economist. "O Brasil estava no abismo", escreveu o ministro sobre o início do governo Lula, em janeiro de 2023.

Durigan citou o desemprego médio de 12% sob o governo Jair Bolsonaro (PL) e disse que o déficit primário caiu de 2% do PIB em 2023 para 0,6% em 2026. Também mencionou a saída do país do Mapa da Fome da ONU.

O que dizem as pesquisas

As pesquisas mais recentes mostram uma disputa apertada, não a corrida já decidida que o tom do editorial sugere. Levantamento do Poder360 com 10 pesquisas aponta Flávio numericamente à frente em 5 delas, Lula em outras 4, e empate exato em 1.

As diferenças variam de 0,3 ponto percentual, na AtlasIntel, a 7 pontos percentuais, nas pesquisas Gerp e CNT/MDA.

As dez pesquisas (Gerp, Futura, PoderData/Aya, Quaest, American Analytics/TimesBrasil/CNBC, AtlasIntel, Nexus/BTG, Datafolha, CNT/MDA e Real Time Big Data) foram registradas no TSE e entrevistaram eleitores entre 9 e 23 de setembro, com margens de erro de 1 a 2,5 pontos percentuais.

O mapa regional da disputa também é desigual: Lula perde força no Nordeste e ganha terreno no Sudeste, segundo levantamentos recentes.

O ponto em aberto

A margem entre os dois candidatos varia de 0,3 a 7 pontos percentuais conforme o instituto, intervalo amplo que só a apuração de outubro vai resolver.

O tom do editorial estrangeiro descreve uma eleição quase decidida. Os números que ele próprio cita mostram o oposto: uma corrida estatisticamente aberta.