O bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, foi preso novamente nesta quarta-feira (7), suspeito de matar a tiros o estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23, durante uma discussão de trânsito em Taubaté (SP), em 30 de setembro.

"É o começo da Justiça, o que a gente esperava", disse a mãe de Bruno, Soraia, ao saber da prisão. "Meu apelo pela Justiça não é um apelo de vingança. É um apelo de respeito à vida", completou.

A prisão preventiva foi decretada pela desembargadora Gilda Alves Barbosa Diodatti, do TJSP, após pedido liminar do Ministério Público de São Paulo (MPSP). Marcos Paulo já havia sido preso em flagrante no dia do crime, mas foi solto em audiência de custódia.

O mandado só pôde ser cumprido a partir das 17h de terça-feira (6), quando terminou a restrição da Justiça Eleitoral a prisões de eleitores nas 48 horas após a votação. Ele chegou em uma viatura do Corpo de Bombeiros e foi levado à delegacia.

O crime aconteceu em 30 de setembro, na Avenida do Povo, em Taubaté, quando Bruno seguia de carro para a faculdade de medicina, na Unitau. Segundo a Promotoria, o bombeiro efetuou cerca de cinco disparos contra o estudante.

Em depoimento à polícia, o bombeiro alegou acreditar que estava sendo vítima de um assalto. Disse ter visto um objeto de cor prateada nas mãos de Bruno, que pensou se tratar de uma arma.

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Ele também afirmou que o estudante teria quebrado o vidro do carro antes dos disparos. O delegado responsável pelo caso afastou a tese de legítima defesa.

A 2ª Promotoria de Justiça de Taubaté contestou a soltura do bombeiro e apresentou recurso ao TJSP, alegando que as medidas cautelares impostas eram insuficientes para garantir a ordem pública.

Marcos Paulo estava de licença não remunerada no dia do crime.

Depois do homicídio, o benefício foi suspenso e ele passou a cumprir funções administrativas no Corpo de Bombeiros.

Soraia também criticou a reação desproporcional à discussão de trânsito. "Nunca nada pode nos dar o direito de uma revolta tão grande e de uma violência tão brutal, tão sem pensar", disse.

Uma semana após a morte de Bruno, amigos e familiares organizam atos pela paz e pela Justiça. Em Taubaté, haverá missa na Igreja de Santa Teresinha seguida de caminhada até o local da morte; em Jacareí, colegas de faculdade também organizaram missa e caminhada.

O que acontece agora

O bombeiro está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, e deve responder por homicídio qualificado.

A CNN Brasil tentou contato com a defesa do bombeiro após a nova prisão, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.