Um homem de 27 anos se apresentou à polícia neste sábado (26), suspeito de matar o namorado em um apartamento alugado na Rua Augusta, em São Paulo. O caso expõe uma lacuna nos dados sobre violência entre casais do mesmo sexo no país.
A vítima, Erivan Araújo Gonçalves, de 32 anos, foi encontrada morta na madrugada de sábado por uma equipe do Samu, acionada pelo próprio suspeito, Felipe Donato da Silva, de 27 anos, que fugiu do local em seguida.
Ele se apresentou horas depois em uma delegacia e será investigado por homicídio.
A causa da morte ainda não foi esclarecida. A polícia encontrou sinais de luta corporal recente no apartamento, segundo boletim de ocorrência, com vestígios de sangue na cama e no chão do imóvel, que já passou por perícia.
Segundo o porteiro do prédio, ouvido pela polícia, Erivan havia autorizado a entrada de Felipe, apresentado como namorado. Por volta das 2h30, o porteiro viu um homem deixar o prédio de roupas pretas e capacete escuro, que impediu a identificação.
O caso lembra outro registrado em setembro: um homem foi preso suspeito de matar a namorada a golpes de capacete em Minas Gerais.
O que os dados sobre violência LGBT+ no Brasil mostram?
O Grupo Gay da Bahia registrou 257 mortes violentas de pessoas LGBT+ no Brasil em 2025, queda de 11,7% frente às 291 de 2024, uma média de uma morte a cada 34 horas. O país lidera o ranking mundial de assassinatos dessa população.
O Brasil aparece à frente do México, com 40 homicídios de pessoas LGBT+ em 2025, e dos Estados Unidos, com 10, segundo o mesmo levantamento.
Mas esse número mede mortes ligadas a LGBTfobia, não violência dentro dos relacionamentos. O próprio Grupo Gay da Bahia reconhece que não distribui os casos por tipo de vínculo entre vítima e agressor.
Estudos da área apontam que a frequência de violência entre casais do mesmo sexo é próxima à de casais héteroafetivos, mas o preconceito, institucionalizado ou internalizado, esconde os casos e mantém a violência impune, segundo artigo publicado no periódico acadêmico Bagoas, da UFRN.
A violência ligada à orientação sexual também aparece fora de casa: em setembro, um ator denunciou ter sido alvo de um ataque homofóbico após o Rock in Rio.
Três décadas depois da primeira Parada LGBT+ em São Paulo, os direitos dessa população ainda estão em disputa no Brasil, incluindo o direito a ter a própria violência contada.
O ponto em aberto
Não se sabe ainda o que motivou a morte de Erivan Araújo Gonçalves, nem qual foi o papel de Felipe Donato da Silva, que segue sob investigação.
O que o caso expõe é uma lacuna maior. O Brasil mede bem as mortes por LGBTfobia, mas não sabe dizer quantas pessoas sofrem violência dentro de relacionamentos com parceiros do mesmo sexo.
Estudos apontam que o problema existe numa proporção próxima à dos casais héteroafetivos, mas, sem dado oficial, ele segue invisível.





























