A legaltech paulista Enter captou R$ 200 milhões numa rodada liderada pelo Founders Fund, gestora de risco do bilionário Peter Thiel, que avaliou a startup em R$ 2 bilhões (post-money). O Sequoia Capital atuou como colíder, com participação da ONEVC e da Atlantico.

É a maior rodada de uma startup de inteligência artificial nativa do Brasil até agora, segundo a imprensa especializada. Também é o primeiro investimento do Founders Fund numa legaltech em qualquer país.

O aporte marca ainda o retorno do fundo ao mercado brasileiro: o investimento anterior mais recente havia sido na rodada Série C do Nubank, em 2016.

O que a Enter faz

Fundada em 2023, a Enter desenvolve um agente de inteligência artificial que analisa processos de consumidor movidos contra empresas e produz defesas jurídicas prontas para protocolar na Justiça.

Entre os 15 grandes clientes da empresa estão Latam, Mercado Livre, Magazine Luiza, Santander, Itaú e Banco Mercantil. A companhia processou 250 mil ações judiciais em 2025, com contrato médio anual de R$ 4 milhões por cliente.

"Estamos criando um sistema operacional do contencioso", disse o CEO e cofundador Mateus Costa-Ribeiro. Os outros dois fundadores, Michael Mac-Vicar e Henrique Vaz, vieram da Wildlife, onde trabalharam como CTO e CMO, respectivamente.

Segundo o CEO, a fatia do contencioso automatizada pela IA nos clientes atendidos saltou de um quinto para mais da metade dos casos em apenas 12 meses, o que ajuda a explicar o apetite dos investidores.

O que acontece agora

O aporte chega num momento de disputa acelerada por startups de IA no Brasil. O QuintoAndar já havia anunciado investimento de R$ 2 bilhões em inteligência artificial, e o Google e a Monashees lançaram um fundo dedicado a startups de IA no país.

A Enter também entra numa onda de crescimento do setor de legaltechs no Brasil, hoje disputado por empresas menores que miram o mesmo mercado de automação jurídica.