Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) divergiram sobre combate a facções e filas na saúde no debate desta terça-feira (29) na TV Globo, a cinco dias do primeiro turno para o governo de São Paulo, o mais populoso do país.
Haddad abriu o primeiro bloco do debate questionando a presença do Comando Vermelho no interior e no litoral paulista.
Tarcísio respondeu citando operações contra o PCC (Primeiro Comando da Capital), queda nos índices de criminalidade e o combate à Cracolândia. "Hoje estão presos, porque a polícia trabalhou", disse o governador sobre o crime na região de Piracicaba, tema escolhido por Haddad.
Haddad rebateu apontando alta do feminicídio e de casos de intolerância contra a comunidade LGBT no estado. Criticou ainda o que chamou de sucateamento da polícia paulista.
Tarcísio reconheceu que "ainda há trabalho a ser feito", apesar de melhoras em alguns indicadores. Disse que a infiltração do crime organizado e o feminicídio são problemas de escala nacional, e citou os concursos que sua gestão abriu para as corporações policiais do estado.
Por que Haddad citou a prisão de Milton Leite?
Haddad usou a prisão do ex-vereador Milton Leite para atacar a relação de Tarcísio com o político, alvo da Operação Vectura Corrupta, que apura infiltração do PCC no transporte público de São Paulo.
"Será que ninguém te informou que você não devia subir no palanque para pedir voto para uma pessoa que 15 dias depois ia ser presa?", questionou o petista.
Tarcísio participou, em 30 de agosto, de um evento de campanha da família Leite, em apoio às candidaturas dos filhos do ex-vereador, e chegou a falar em "parceria enorme" com ele. Milton Leite teve a prisão decretada dias depois, junto com outras 15 pessoas.
No debate, o governador negou irregularidade. "Eles não têm nada, absolutamente nada, nem um cargo", disse sobre a relação com a família Leite.
Tarcísio devolveu a acusação citando o vereador petista Senival Moura, preso em operação contra lavagem de dinheiro do PCC. Citou também a presença da lobista Roberta Luchsinger, ligada ao caso do filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, no palanque de Haddad.
As duas trocas de farpa mostram os dois lados usando o mesmo tema, o elo entre política e PCC, um contra o outro.
Haddad defendeu que o combate ao crime organizado seja integrado entre os entes da União, citando seu trabalho à frente do Ministério da Fazenda.
O debate desta terça repete o formato do primeiro encontro entre os dois, em agosto, quando as acusações cruzadas também dominaram o confronto direto.
A vantagem de Tarcísio sobre Haddad em São Paulo pouco mudou no último mês, segundo pesquisas eleitorais registradas no TSE.
O que acontece agora
O primeiro turno para o governo de São Paulo acontece neste domingo (4). Um eventual segundo turno, caso nenhum candidato atinja maioria dos votos válidos, fica marcado para 25 de outubro.




































