A campanha de Marina Silva (Rede) ao Senado por São Paulo recebeu R$ 1 milhão do fundo eleitoral, valor menor que o de outros candidatos da sigla a cargos proporcionais, e cobra agora mais R$ 1,2 milhão na reta final.
Aliados de Marina veem a distribuição de recursos como um capítulo da disputa interna pelo comando da Rede, que opõe a ex-ministra à ex-senadora Heloísa Helena, hoje à frente do partido.

Quem recebeu mais do que Marina
Segundo a Folha, o deputado federal André Janones (MG), filiado à Rede neste ano, lidera os repasses. Ele recebeu R$ 3 milhões, o equivalente a 8% do fundo eleitoral do partido, de R$ 35,8 milhões.
Heloísa Helena, candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro, recebeu R$ 2,8 milhões, a segunda maior fatia. Segundo o Metrópoles, a também candidata ao Senado Luizianne Lins (CE) recebeu cerca de R$ 2,2 milhões, mais que o dobro do valor destinado a Marina.
O R$ 1 milhão recebido por Marina é igual ao repassado a candidaturas a deputado federal e estadual do partido, o que o entorno dela vê como desprestígio, por se tratar de uma candidatura majoritária ao Senado.
O caso ecoa outro já registrado em Minas Gerais, onde o líder nas pesquisas ao governo do estado arrecada 22 vezes menos que um rival. Nem sempre o caixa da campanha acompanha o desempenho nas urnas.
O outro lado da conta
O eleitor paulista pode comparar as posições dos candidatos ao Senado por São Paulo em ferramentas como o Match Eleitoral.
Um auxiliar de Marina disse à Folha, sob reserva, que ela recebeu mais apoio do PSOL, partido federado à Rede, do que da própria sigla. A prestação de contas ao TSE mostra R$ 1,1 milhão vindos do PSOL, 10% a mais que da Rede.
Pessoas próximas a Marina afirmam que o grupo pediu a revisão dos repasses à direção partidária e foi ignorado. Outros candidatos também teriam questionado a distribuição, sem resposta. A Folha procurou Paulo Lamac, presidente da Rede, e não obteve retorno.
O ponto em aberto
Somando o repasse já feito ao pedido adicional de R$ 1,2 milhão, a campanha de Marina alega que o total ainda representaria só 30% do teto de gastos definido pelo TSE para o Senado em São Paulo, um dos maiores colégios eleitorais do país.
A disputa pelas duas vagas ao Senado paulista está com quatro candidatos tecnicamente empatados, segundo pesquisas recentes. A pergunta que fica é se a diferença de caixa entre os nomes da própria Rede vai pesar nessa corrida apertada até o dia da votação.





























