O presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, afirmou em depoimento à Polícia Federal que havia sido alertado sobre a omissão de registro de panes na empresa antes da queda do voo 2283, que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024. Segundo a PF, ele relatou que a Anac o advertiu a respeito de pilotos que deixavam de reportar falhas nas aeronaves.
Felício Filho foi indiciado pela PF em 6 de agosto, junto com outras 15 pessoas — entre diretores, gerentes, pilotos, despachantes operacionais e profissionais de manutenção da companhia. O indiciamento é a conclusão da autoridade policial ao fim do inquérito: não equivale a denúncia recebida pela Justiça nem a condenação. Caberá agora ao Ministério Público Federal decidir se apresenta denúncia, e os indiciados podem apresentar sua defesa no curso do processo. Até decisão judicial definitiva, todos são presumidos inocentes.
A investigação concluiu que o acidente ocorreu depois de a aeronave perder progressivamente o desempenho aerodinâmico em condições de formação de gelo. Segundo a PF, o sistema pneumático de degelo (Airframe De-Icing) apresentava falhas que permitiam o acúmulo de gelo nas asas e na estrutura do ATR 72-500, o que levou à perda de velocidade e à entrada em estol. O voo tinha 58 passageiros e 4 tripulantes — não houve sobreviventes.
O que o empresário relatou no depoimento
Ainda segundo a Polícia Federal, o empresário reconheceu em depoimento que um sistema automatizado de monitoramento de dados de voo, capaz de identificar a recorrência de falhas no sistema de degelo, estava apenas planejado pela empresa e não havia sido implementado até a data do acidente.
A Voepass é a antiga Passaredo Transportes Aéreos, fundada pelo pai de Felício Filho. Piloto com mais de 30 anos de experiência, ele assumiu formalmente a gestão da empresa em 2002.


























