O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) formalizou uma denúncia contra Amanda Maria Souza de Oliveira, uma mulher de 37 anos que se fez passar por uma adolescente de 12 anos e foi acolhida por uma família em Joinville. A denúncia, protocolada na última segunda-feira (8), inclui acusações de falsa identidade e estelionato.

Até o momento, a Justiça não se pronunciou sobre o pedido, que poderá torná-la ré na ação. A farsa foi descoberta em 2 de junho, quando Amanda foi presa na residência da família que a havia 'adotado' após 14 meses de convivência.

Outros casos e confissões

Durante o depoimento à polícia, Amanda admitiu que, além de Joinville, aplicou o mesmo golpe em Curitiba (PR), Nova Iguaçu (RJ) e em vários estados, como Minas Gerais, Goiás e Ceará. A polícia catarinense ainda investiga outros dois casos em Florianópolis e Chapecó.

A defesa de Amanda, representada pelo advogado Rafael Luiz Siewert, informou que aguardará a realização de um exame psiquiátrico antes de emitir uma declaração sobre o caso.

Como a farsa começou

A aproximação de Amanda com a família em Joinville ocorreu de maneira gradual, por meio de um pastor de uma igreja local. Inicialmente, ela se apresentou como Gabriele, afirmando ter 18 anos e experiência em panificação, buscando uma oportunidade de trabalho.

Com o tempo, Amanda começou a relatar problemas de saúde e dificuldades financeiras, o que gerou empatia na família, que até lhe forneceu Mounjaro, um medicamento para emagrecimento. Após ganhar a confiança do casal, ela mudou sua história, alegando ter apenas 11 anos e ser vítima de abusos, o que levou a família a convidá-la a morar com eles e a celebrar seu aniversário de 12 anos.

Descoberta da verdade

A família só buscou auxílio policial após uma tia de Amanda levantar suspeitas. Inicialmente, o pai adotivo não acreditou nas alegações, mas ao revisar uma reportagem sobre um crime semelhantes, notou as semelhanças e decidiu investigar mais a fundo.

Outros relatos de vítimas

Em Nova Iguaçu, onde Amanda também aplicou o golpe, ela se apresentou como 'Duda' e permaneceu sob os cuidados de duas mulheres que acolhem crianças em situações vulneráveis. Uma das cuidadoras relatou que Amanda frequentemente imitava a voz de uma criança e chegou a vomitar agulhas na frente delas.

Conseqüências do golpe

A mulher não apenas ganhou uma festa de aniversário, mas também um quarto decorado como de uma criança e remédios para emagrecimento. A família acreditava que ela havia fugido do Pará devido a maus-tratos, criando um vínculo emocional com a suposta menina durante todo o período que estiveram juntos.