Minas Gerais registrou 177 feminicídios em 2025, alta de 4,7% sobre os 169 casos de 2024, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O aumento contrasta com a queda das mortes violentas intencionais no estado, que caíram de 3.219 para 2.770 no mesmo período.
As tentativas de feminicídio, por outro lado, caíram de 248 para 207. As ocorrências de lesão corporal dolosa contra mulheres em violência doméstica seguem estáveis, perto de 24 mil por ano.
A queda da violência em geral não chegou às mulheres: o tema entrou na campanha para o governo de Minas, que assume em 2027. Ainda em setembro, um suspeito de matar a namorada a golpes de capacete foi preso no estado.

A advogada Verônica Suriani viveu esse cenário na pele. Após terminar um relacionamento de quase dois anos, foi perseguida, ameaçada e teve o carro danificado pelo ex-companheiro, mesmo após registrar boletins de ocorrência e uma medida protetiva.
Em maio de 2022, ela foi esfaqueada 17 vezes numa rua da Região Centro-Sul de Belo Horizonte, na frente dos filhos, então com 7 e 10 anos.
Quem me salvou foi a minha babá, a Patrícia, que lutou com ele e tomou a faca dele.
A frase é de Verônica, que hoje dirige uma rede de enfrentamento à violência contra a mulher. Quatro anos depois, ainda sente dores no braço e nas costas.
A professora Ludmila Ribeiro, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), diz que os serviços de saúde podem ajudar a identificar mulheres em risco. "Muitas mulheres vítimas não vão à polícia registrar, mas elas registram isso no sistema de saúde", afirma.
O que os candidatos ao governo propõem
Segurança pública é um dos temas centrais da campanha ao governo de Minas. Patrus Ananias (PT) propõe ampliar a Patrulha Maria da Penha e criar Casas da Mulher Brasileira no estado.
Cleitinho (Republicanos) quer expandir as delegacias especializadas em violência contra a mulher e criar um comando de inteligência para as forças de segurança. Alexandre Kalil (PDT) propõe a "Muralha Digital de Minas Gerais", com câmeras corporais para as polícias.
Mateus Simões (PSD) foca no reforço do controle das divisas do estado. Gabriel Azevedo (MDB) quer criar um centro único de inteligência criminal e ampliar as casas de acolhimento para mulheres.
O caso de Verônica também expõe a fragilidade das medidas protetivas quando descumpridas: ela denunciou o descumprimento da sua por seis meses antes do ataque.
Minas no mapa nacional da violência
Minas é o segundo estado com mais feminicídios em números absolutos, atrás só de São Paulo. No Brasil, os casos saltaram de 1.075 em 2017 para 1.571 em 2025.
Em Minas, as ameaças contra mulheres somaram 85.993 em 2025, alta de 4,8%. Os casos de perseguição, ou stalking, cresceram 22,6%, de 5.327 para 6.533.
O que acontece agora
A eleição para o governo de Minas acontece em 4 de outubro. Quem vencer assume em janeiro de 2027 e será responsável por transformar as propostas de campanha em política de segurança para o estado.





























































































