Incêndios destruíram lavouras e deixaram prejuízos milionários a produtores rurais em Goiás nos últimos dias. As chamas atingiram propriedades em Mineiros, Pontalina e Montividiu, no interior do estado, e destruíram plantações de milho e cana-de-açúcar prontas para a colheita, segundo reportagem do Jornal Nacional.
Em Montividiu, uma área de 250 hectares de milho pronta para a colheita foi destruída. O produtor responsável estima o prejuízo em R$ 2,5 milhões.
"Nós vamos ter aí no mínimo de três a seis anos com redução de produtividade", disse Vanderlei Secco, outro produtor da região, que perdeu a palha seca que protegia o solo logo após a colheita.
Em Pontalina, um incêndio queimou lavouras, incluindo uma plantação de cana-de-açúcar de uma usina.
Em Mineiros, um produtor gravou um vídeo durante o fogo: "Pegou fogo no milho. Pessoal, quem puder vir aqui ajudar. A situação está crítica."
Por que os incêndios preocupam agora?
Goiás está sob o alerta de seca ligado ao El Niño que afeta lavouras em vários estados. O Decreto estadual nº 10.962 suspende o uso do fogo em vegetação em Goiás entre 1º de julho e 31 de outubro, o período de maior risco.
Antonio Carlos Grandi, produtor de Montividiu, também perdeu equipamento de irrigação. "O fogo pulou essa rodovia, caiu aqui e daqui a pouco estava queimando lá", contou.
Segundo o MapBiomas, uma área de agricultura maior que a cidade de São Paulo foi queimada no Brasil no primeiro semestre de 2026.
Em 2024, ano de seca extrema, 2,8 milhões de hectares rurais foram queimados no país. A Confederação Nacional da Agricultura estimou o prejuízo daquele ano em quase R$ 15 bilhões.
Bruno Brais, que perdeu cerca de 160 hectares de palhada, resume o momento: "O produtor já vem tendo uma certa dificuldade com seus custos de produção, com preço baixo da commodity de milho. Agora vem o prejuízo das queimadas."
O que acontece agora
O decreto que proíbe o uso do fogo em Goiás segue em vigor até 31 de outubro. Produtores atingidos vão precisar recompor lavouras e solo, com efeito sobre a produtividade estimado em até seis anos nas áreas mais afetadas.





























