O Guarani vota nesta sexta-feira (2) a criação de uma SAF, mas a decisão não aprova a venda de 90% das ações ao investidor Roberto Graziano. Sem o negócio fechado, o clube pode ter de montar o time do Paulista 2027 com recursos próprios.

A assembleia é híbrida e precisa de aprovação de dois terços dos associados com direito a voto. Os sócios decidem apenas a criação da sociedade, não a transferência do controle ao grupo investidor.

Se aprovada, a SAF pode nascer com 100% das ações nas mãos do próprio clube. Só depois, caso a proposta de Graziano seja aprovada à parte, ocorreria a transferência de 90% das ações ao grupo dele.

O Guarani atravessa dificuldades financeiras. O clube já antecipou cotas disponíveis para se manter e tem parcelas da Recuperação Judicial ainda em aberto, segundo apuração do ge.

O plano de recuperação permite reduzir em 30% o valor da parcela, com a diferença empurrada para o futuro, mas o clube não pode simplesmente suspender os pagamentos enquanto espera a SAF sair do papel.

Para onde vai o R$ 1,075 bilhão prometido

A proposta de Graziano projeta R$ 1,075 bilhão em investimentos, divididos entre a operação da SAF e do clube social, um novo estádio, um centro de treinamento e o pagamento de dívidas, incluindo as da Recuperação Judicial.

O novo estádio e o centro de treinamento estão projetados para as margens da Rodovia dos Bandeirantes, em empreendimento que inclui 1.200 apartamentos. Nenhum desse dinheiro depende da votação desta sexta.

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A votação de hoje autoriza apenas a existência da SAF. O dinheiro prometido só chega se a venda ao investidor for aprovada em uma etapa separada, ainda sem data.

O Guarani não é o único clube do interior de São Paulo nessa fila. O Comercial também votou a própria SAF, com aporte prometido de R$ 300 milhões.

Em Limeira, o conselho da Inter de Limeira já aprovou uma SAF com Ronaldo e Roberto Carlos entre os investidores.

O que acontece agora

A Assembleia Geral começa às 15h30, com segunda chamada às 16h, e a votação se encerra às 20h desta sexta-feira. Até o fim de outubro, o clube também precisa comprovar à Justiça que está regularizando dívidas tributárias federais e municipais, incluindo o IPTU.

Enquanto a SAF não sai do papel, o time segue em campo. O Guarani chegou a assumir a liderança da Série C nesta temporada.