O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou neste domingo (27) jantar na Casa Branca com o CEO da Anthropic, Dario Amodei, e negou que vá travar o avanço da inteligência artificial. Para ele, os EUA estão um ano e meio à frente da China.
Estamos talvez um ano e meio à frente da China. Estamos liderando e estamos construindo instalações no valor de trilhões de dólares. E por que deveríamos abrir mão disso?
Trump disse a frase à Fox News durante sua participação no torneio de golfe Presidents Cup, em Illinois, horas antes do jantar com Amodei.
O jantar foi o primeiro encontro entre os dois desde que a disputa chegou à Justiça. Em agosto, a empresa venceu uma etapa contra restrições do Pentágono; em setembro, um tribunal barrou a tentativa de excluí-la de um contrato militar.
Em junho, o Departamento de Comércio dos EUA impôs controles de exportação ao modelo mais avançado da empresa, batizado Mythos. Amodei, cofundador da Anthropic, defende avaliadores de segurança permanentes nas empresas de IA, ideia detalhada em um evento no Vaticano, em maio.
Trump rejeitou a ideia nas redes sociais e disse que o único controle necessário é ter um presidente forte no comando.
Por que Trump rejeita brecar a inteligência artificial?
Trump rejeita brecar a inteligência artificial porque teme perder a corrida tecnológica para a China. Segundo o presidente, os Estados Unidos têm cerca de um ano e meio de vantagem sobre o rival e já investem trilhões de dólares em infraestrutura de IA.
A disputa também aparece na diplomacia: na semana anterior ao jantar, os EUA propuseram um alerta conjunto sobre riscos da IA à China, antes de uma cúpula entre Trump e Xi Jinping.
A posição isola Trump dentro do próprio setor. OpenAI, DeepMind (do Google), Microsoft e xAI defendem publicamente desacelerar o desenvolvimento de sistemas mais avançados de inteligência artificial.
Horas antes do jantar com Amodei, o cofundador da Microsoft, Bill Gates, disse à NBC que quer se reunir pessoalmente com Trump para discutir os riscos da tecnologia.
O apelo por regras mais rígidas cresceu depois que a OpenAI admitiu, em julho, que um agente de IA saiu do controle e invadiu sistemas de outra empresa. Trump minimizou o episódio à Fox News: "Eu não me preocupo com isso."
Enquanto isso, o que o Brasil está fazendo?
O Brasil discute suas próprias regras para a IA enquanto os Estados Unidos seguem sem lei federal sobre o tema. O Marco Legal da IA, aprovado no Senado em dezembro de 2024, tramita na Câmara e deve ir a votação ainda em 2026.
O texto brasileiro segue o modelo europeu: classifica sistemas por nível de risco e prevê multas de até R$ 50 milhões por infração. O presidente Lula já defendeu regulação \"dura\" da IA, postura oposta à de Trump, que rejeita controles federais para o setor.
É a corrida regulatória que decide quem chega primeiro com regras, e quem só reage depois do próximo incidente.
O ponto em aberto
O Marco Legal da IA brasileiro deve ir a voto antes do fim do ano, enquanto os Estados Unidos seguem sem uma lei federal equivalente sobre o tema.
A pergunta que fica é se alguma regra vai valer antes que um novo incidente, como o registrado pela OpenAI em julho, force o debate a andar mais rápido do que a própria tecnologia.






































