O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, em entrevista à Band exibida no domingo (27), a criação de uma inteligência artificial brasileira, "que fale português". Ele disse não querer depender de tecnologia chinesa nem americana, segundo o programa Canal Livre, da BandNews TV.
Não quero ficar dependendo da inteligência artificial chinesa, muito menos americana. Eu quero saber se é possível a gente criar uma.
Lula lembrou que já havia desafiado o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia a criar uma inteligência artificial nacional. "Eu desafiei há dois anos atrás o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia: vamos construir uma inteligência artificial que fale português", afirmou, segundo o InfoMoney.
O que já existe: o supercomputador de Macaíba
O governo já colocou dinheiro na proposta. Em agosto, Lula lançou o edital para comprar um supercomputador de R$ 1,06 bilhão, que vai funcionar no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba (RN), dentro do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA).
A máquina terá 7.200 petaflops de potência e deve entrar em operação no fim de 2027, segundo o edital lançado pelo governo em agosto. O Rio Grande do Norte foi escolhido no lugar de São Paulo e Campinas, também cotados.
O supercomputador poderá ser usado por universidades, empresas, centros de pesquisa e órgãos públicos, segundo o edital.
Do total, R$ 960 milhões vão para a compra do equipamento, e outros R$ 100 milhões para preparar e operar a estrutura, com recursos do CT-Infra, mecanismo de financiamento de infraestrutura de pesquisa do governo federal.
Não é a primeira vez que Lula fala em soberania tecnológica. Durante o G7, em junho, o presidente já havia defendido uma governança de IA que respeite as particularidades de cada país.
Por que o plano ainda depende dos EUA e da China
O plano de IA do governo, no entanto, não escapa dos dois países citados por Lula. Em paralelo ao projeto de Macaíba, o governo fechou com as chinesas Huawei e iFlytek a construção de outro supercomputador de R$ 1,3 bilhão, no Rio de Janeiro.
Os dois projetos somam R$ 2,3 bilhões e formam o núcleo de hardware do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial. São os mesmos dois países que o presidente disse não querer depender, agora na base da estratégia nacional de IA.
A operação do supercomputador do Rio deve começar em julho de 2027, poucos meses antes da de Macaíba.
O que acontece agora
O supercomputador de Macaíba deve entrar em operação até o fim de 2027, segundo o edital do governo. Lula repetiu, na entrevista, o mesmo desafio que fez há dois anos ao Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia.





























