O candidato Flávio Bolsonaro (PL) disse nesta quarta-feira (7) que o fim da escala 6x1 "não vai adiantar" se vier acompanhado de desemprego ou endividamento. A fala foi resposta às cobranças do presidente Lula (PT) para que ele se posicionasse sobre a PEC.

A declaração foi dada após reunião com integrantes da federação União Brasil-PP, que formalizou apoio a Flávio no 2º turno. No mesmo dia, o Centrão fechou apoio a Flávio, com União, PP e Novo confirmando a aliança.

É óbvio que eu sou a favor de que o trabalhador tenha um tempo de folga, para almoçar com a sua família, ir à praia no final de semana, viajar. Só que nada disso vai adiantar se estiver todo mundo endividado ou desempregado.

Flávio fez a declaração à imprensa, classificando a disputa pela PEC como manobra eleitoral de Lula. "Depois de quatro anos de governo, ele quer correr para apreciar uma matéria como essa. Está pensando em eleição", disse, cobrando "responsabilidade" na mudança.

Flávio relacionou a jornada de trabalho à situação econômica e defendeu redução da tributação sobre a folha de pagamento. "Se ele estivesse pensando no trabalhador, já tinha reduzido a carga tributária sobre a folha de pagamento", afirmou, acusando Lula de deixar "todo mundo endividado".

O Senado realiza nesta quarta a segunda sessão de discussão da PEC, que reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e prevê dois dias de descanso, sem redução de salário. O tema já dividia os dois candidatos.

Na sessão de terça-feira (6), 47 senadores registraram presença, em formato semipresencial. Nenhum senador de oposição esteve na abertura, e o PL não registrou presença inicial. Seis parlamentares do partido foram comparecendo ao longo do dia.

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O que acontece agora

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estabeleceu cronograma sem atropelos, com sessões de discussão até quinta (8) e votação em 1º turno prevista para o dia 15.

O Planalto conta com a aprovação, mas já trabalha com cenários alternativos.

Aliados do PT avaliam que a rejeição ou o bloqueio da matéria pela oposição também pode gerar dividendos eleitorais. A aposta é atribuir a Flávio a responsabilidade pelo não avanço de uma proposta popular.

Aprovar ou travar a PEC virou jogo de cálculo eleitoral para os dois lados, não só debate sobre jornada de trabalho.

O tema voltou à pauta do Senado em agosto, em meio à pressão de Lula e à resistência de aliados de Flávio. A proposta começou a ser debatida em plenário na terça (6).