O secretário-geral do Partido Democrata Europeu, Sandro Gozi, defendeu a soberania brasileira e criticou o governo dos Estados Unidos. Em publicação nas redes sociais nesta terça-feira (29), o deputado do Parlamento Europeu disse que a democracia brasileira não pode ser submetida a pressões estrangeiras.
"O Brasil não é quintal de ninguém e a democracia brasileira não está à venda", declarou Gozi.
O que Gozi disse sobre a eleição brasileira?
Gozi ligou o alerta às eleições presidenciais de outubro de 2026. O político italiano citou uma combinação de pressão política de Washington, medidas econômicas e grupos ligados ao movimento MAGA (Make America Great Again) interferindo na vida democrática de outros países.
Para ele, tarifas, intimidação política e campanhas de atores estrangeiros ameaçam a autonomia das instituições democráticas brasileiras.
"Isso não se trata de defender Lula, nem de apoiar um candidato brasileiro em detrimento de outro. Trata-se de algo muito mais fundamental para nós: o direito dos brasileiros, e de qualquer povo, de decidir seu próprio futuro", disse o parlamentar.
O deputado europeu recuperou uma declaração do governador da Califórnia, Gavin Newsom, sobre a tarifa de 50% que o governo americano aplicou a produtos brasileiros. Newsom chamou a cobrança de "tarifa Bolsonaro" em entrevista durante a Assembleia Geral da ONU.
Por que Milei entrou na crítica de Gozi?
Gozi também citou o presidente da Argentina, Javier Milei, a quem acusou de se inserir diretamente no debate político brasileiro. Para o parlamentar, a participação de lideranças estrangeiras em disputas eleitorais de outros países precisa ser observada sob a ótica da soberania nacional.
O argentino já havia atacado Lula na ONU e reiterado apoio a Flávio Bolsonaro, na mesma semana em que senadores dos EUA cobraram de Trump um compromisso com a eleição no Brasil.
Gozi é deputado do Parlamento Europeu e já foi secretário de Estado para Assuntos Europeus da Itália, à frente de uma legenda de centro liberal-europeísta.
A declaração se soma à de Newsom num coro de vozes internacionais que cresceu nas últimas semanas, às vésperas da eleição presidencial brasileira de outubro.
O governo dos Estados Unidos já negou publicamente que esteja interferindo no processo eleitoral brasileiro, depois de acusações semelhantes feitas pelo próprio Lula.





























